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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

E o mundo...

...não acabou, eu sei!

Mas por aqui, neste humilde bloguito, as atividades estão encerradas em 2012.

Em janeiro teremos apenas postagens semanais sobre Santiago, Viña del Mar/Valparaíso, Mendoza e Colonia del Sacramento. Momento férias total.

Não sou muito de fazer resoluções de final de ano, mas eu curto muito esse momento virada. Para mim, dia 31/12 é um marco, o final de um ciclo e o começo de outro.

2013 vem chegando...com ele meus 34 anos, meus filhos crescendo, em fevereiro Pedro completa seu primeiro ano em pleno carnaval, em março nos mudamos da fronteira para a nossa querida Santa Catarina, em abril meu eterno bicho faz 4 anos.

O que eu espero de 2013 é me reencontrar.

Quero andar mais, quero consumir menos, quero continuar minha horta mesmo num apartamento, quero que minhas horas no trabalho sejam produtivas e que eu consiga reencontrar algo dentro da minha profissão que me devolva o tesão pelo trabalho. Desde que vim para a fronteira ele se foi...

Ah, também quero fazer pães e biscoitos caseiros, já que em 2012 eu fiquei expert em bolos.

Quero estudar e quero desenvolver algo.

E eu quero um algo mais, ainda não sei bem o que é, mas tem algo aqui dentro que está insatisfeito. Creio que tem a ver com o meu trabalho atual, do qual não gosto, espero poder mudar com a mudança de cidade que se aproxima.

Quero abrir mão da empregada, que tenho aqui, mas não quero ter na nova cidade. Quero que minha filha não volte para a escola, mas ela quer ir, então vou levá-la. Quero encontrar uma boa escola.

Quero encontrar uma boa babá na minha nova cidade, que tenha disposição para brincar.

Quero mudar o blog. O tempo passa, os objetivos mudam.

Quero voltar a usar brincos.

Quero continuar a amamentação

Não quero mais filhos.

Não quero mais potes de plástico na minha cozinha.

Não quero mais consumir margarina, maionese industrializada, refrigerante, suco de caixinha, vegetais enlatados.

Não quero mais sair de casa sem filtro solar, rímel e batom.

Eu quero dizer mais eu te amo, eu te entendo, eu posso te ajudar.

E quero dizer menos estou cansada, ai que dor nas costas, jizuis me salva!

Quero ver a família com mais frequência, quero reencontrar amigas queridas.

Para todos que passaram por aqui este ano, deixo meu agradecimento, àqueles que se manifestaram por escrito, deixo meu carinho.

Ano que vem já vem vindo!

Até lá!

Imagem: arquivo pessoal





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Férias e maratona em família!




Apenas para não sumir assim, sem deixar notícias, aviso que sairemos de férias por duas semanas. Estamos animados (e já cansados de antemão) porque vamos fazer nossa primeira grande viagem em quarteto.

Iremos a Santiago, Viña del Mar e Valparaíso, com uma passada em Mendoza seguindo as dicas do Viaje na Viagem de curtir Chile e Argentina em zigue zague.

Aproveitei cada dica das famílias viajeiras para Santiago, especialmente as dos blogs Chile para Crianças, Mãe de Duas e Destemperadinhos, mas confesso que pouco encontrei sobre Mendoza com crianças, então nosso roteiro é meio "exclusivo".

A Ísis está ansiosa e animada e já entende que o Chile e a Argentina são outros países - "onde não é o Brasil, né mamãe?".

Voltamos antes do Natal!

Inté!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Game dos Bebês: mais uma besteira no ar!

"Marcelo contou por que existe tanta resistência por parte das mamães em relação a deixar de amamentar. “A sensação é de entregar o filho ao mundo, de assumir que ele está crescendo e de saber que não é mais um corpo só, são dois corpos”, observou ele. “A amamentação, em alguns casos, não é mais para alimentar os filhos, é mais o ritual de colocar no colo para dormir. Eu acho que me sinto à vontade de dizer para desmamar quando o ato não tem a função principal, que é a alimentação. Outro caso também é quando a criança começa a precisar a tomar o leite”, explicou."

Eu ainda não havia visto esse programa, porque trabalho pela manhã, mas ontem estava no mercado da cidade, onde uma televisão estava ligada no Programa Mais Você, e fiquei estarrecida com o tal Game dos Bebês. Bizarrice pouca é bobagem!

Eu não entendi muito bem o que um pedagogo tem a ver com amamentação, pesquisando não achei nada que o abonasse para falar sobre o tema, mas dando uma googada por aí fica fácil descobrir que este homem é figurinha fácil em revistas, blogs e programas de televisão.

Quem assiste ao programa percebe que aqueles bebês tem idades inferiores aos 2 anos. O que diz a OMS? Amamentar até 2 anos OU MAIS. Claro que o pedagogo não se ateve a essa informação. Na pauta do programa havia a necessidade de falar sobre desmame (interesse de um patrocinador de fórmulas? Será?) e não se levou em consideração que todas as crianças ali presentes ainda estavam em idade para serem amamentadas.

Outra coisa que a mídia adora é colocar as mães como pessoas infantis, dependentes da relação com o filho e incapazes de promover o desmame natural, porque precisam daquele ritual. Daí falam nisso e focalizam aquela pobre mãe chorando porque, claro, ela não quer (e nem deve) desmamar a filha. Mais uma vez as mulheres são focalizadas como seres incapazes de agir, elas precisam de alguém - um homem, educador, que não sabe e nunca saberá o que é amamentação - para ensinar-lhes o que a natureza já nos ensinou em séculos e séculos de existência! Mães não precisam de orientação sobre como desmamar seus filhos. Mães precisam de apoio para amamentá-los. Mães precisam ser respeitadas e deixadas em paz com o conhecimento, o instinto, amor e o leite que lhes é natural.

Claro que a mãe de um bebê vai ser resistente em desmamar seu filho. É quase que instintivo. Você e todo seu DNA sabem que aquela criança ainda precisa de leite. Do seu leite. 

Qualquer pesquisa sobre mães que desmamam naturalmente, respeitando o tempo de seus filhos nos faz ver como se despedir deste "ritual", como disse o pedagogo, com saudade sim, afinal, quem não sente saudades do tempo em que os filhos ficavam apenas no colo, ou das engatinhadas pela casa ou das palavrinhas erradas? Apesar da saudade, isso não nos impede de incentivá-los  a sair do colo, a andar, a falar corretamente. Incentivar o desmame pode ser necessário, mas não com menos de 2 anos de idade e ainda mais quando claramente esse é o desejo da mãe e do bebê. Desmamar quando for o tempo para o desmame e não para enriquecer marcas já multimilionárias.

Toda criança desmama quando for o momento! Assim como toda criança desfralda, anda, fala, escreve! Tudo a seu tempo! Ah...mas claro  que ninguém quer ver uma criança de 3 anos sendo amamentada, não é? Coisa mais feia, tsc...tsc... Até a Ana Maria Braga não conseguiu conter a expressão de desagrado com essa cena. Por quê? Porque amamentar é algo que nos atordoa tanto? Porque a criança suga o seio? Resolvam seus problemas sexuais no analista mas não coloquem suas frustrações nas pobres crianças e suas mães, que podiam estar posando nuas, podiam estar fazendo toples numa praia do Rio, podiam estar sambando na Sapucaí com os seis desnudos ou aparecendo em programas de gosto duvidoso na TV com os seios sempre à mostra. Só que não: elas estão AMAMENTANDO!

E essa pressa em lançar os filhos no mundo? Como ficamos nós pais que somos bombardeados com informação de que precisamos estar mais presentes, estarmos atentos, darmos atenção aos nossos filhos, e de outro recebemos o dedo indicador de pessoas que sequer são especializadas em amamentação para que liberemos nossos filhos para o mundo (e para as marcas anunciantes!)?

A última frase não poderia ser mais ridícula : "...quando a criança começa a precisar tomar o leite.". De que leite estamos falando? Do leite da vaca? Daquele que é base para as latas dos anunciantes? Por que nossos filhos não precisam mais do leite humano que sai gratuito de nossos seios e precisam do leite que sai gratuito das tetas da vaca para seus bezerros e que passa por processamentos mil para ficarem "maternizados"?

Outro disparate: no cardápio das crianças aparece assim:
- Desjejum e ceia: preparações lácteas específicas.
Preparações lácteas específicas? Por que não aleitamento materno também se há crianças ali que ainda mamam? E preparação láctea na ceia? Por que pode dar mamadeira antes de dormir mas não pode amamentar?

Vocês conseguem perceber o desserviço que este tipo de programa e este tipo de orientação dada por um pseudo educador faz?

E, claro, a Ana Maria Braga teve que falar da culpa. Não, não sintamos culpa. Lutemos por mais dignidade e respeito para nós e para nossos filhos.

Ou afoguemos nossas mágoas numa lata de leite em pó maternizado.

...

Outros textos, outras visões, a mesma indignação:

Anne Super Duper
Mamíferas
Infância Livre de Consumismo
Pérolas de Alanis




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Al!

Imagem: arquivo pessoal e antigo!

Al!

Estávamos nos preparando para jantar quando a Ísis pediu ao pai que fizesse uma farofa.  Depois de pronta coloco num potinho e entrego a colher e um copo de suco para ela não engasgar. Um nanosegundo depois ela está com o rosto todo dentro do pote e diz que é passarinho comendo alpiste. Olho a cena e entoo cânticos celestiais na minha mente. Creio que ela percebe todo o meu esforço para não reclamar da cena, sorri aquele sorriso prá lá de peralta só dela e diz:
- Mamãe, olha o Al!
Eu, ainda entoando mentalmente cânticos celestiais, enquanto seguro o irmão no quadril e vou atrás da vassoura para varrer toda a farofa que cai do prato e da boca da PassarÍsis, levo mais que 2 segundos para responder. Ela insiste:
- Olha mamãe, o Al! O Al, mamãe!
- Que (uádafâqui) Al é esse, Ísis???
- O Al, mamãe, o Alpiste!

Como não amar tamanha malandragem?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estações pela janela

Imagem: arquivo pessoal

Filho,

Hoje, como todos os dias antes de retornar ao trabalho após o almoço, seu pai foi arrumar sua irmã para a escola e nós dois fomos para o seu quarto, para o nosso momento de aconchego, de carinho, de amamentação.

Nós moramos numa casa de madeira, com varanda, dessas que parecem casinhas de boneca; e a nossa casa é toda branquinha por dentro, com janelas brancas antigas. De onde eu sento com você nos braços eu vejo a janela e lá fora, no terreno do nosso vizinho uruguaio, há uma árvore majestosa, que muda de forma, de cor e de som juntamente com a passagem das estações.

Durante todo o verão, época em que você nasceu, a árvore estava majestosa, com folhas enormes e verdes de variados tons. Os passarinhos cantavam por ali. O contraste de cores entre a janela branca, o céu azul e a árvore verde era um bálsamo para os olhos. Era vida pulsante e eu, com você ao peito, me sentia parte da natureza.

Veio o outono e com ele as folhas em tons castanhos e alaranjados. Uma a uma eu vi cairem as folhas daquela árvore, o vento frio castigava aqueles galhos já quase desnudos. Os pássaros sempre tão vibrantes quase não apareciam mais.

No inverno eu só via os galhos acizentados, quase prateados. O vento castigava-os, envergava-os. Não havia pássaros. O céu permanecia em tons de cinza quase todos os dias e o ar gelado, que conseguia entrar pelas frestas da janela, castigava as minhas costas.

De mansinho veio chegando a sua primeira primavera, com ela voltaram os passarinhos. O som da brisa a balançar as folhas que retomam seu lugar nos galhos chama a sua atenção. Um pássaro canta ali, escondido entre o verdejante cenário terrestre e o quadro celestial pontuado por nuvens brancas de algodão. Você vira o rosto, ouve com mais atenção e sorri.

Eu ainda vejo seu olhar maroto e sorridente antes de eu mesma fechar os olhos para gravar com mais intensidade aquele instante. Uma brisa fresca sopra meus cabelos, meus ouvidos estão serenos com a orquestra divertida dos pássaros e seus gritinhos de felicidade.

E eu descubro que há imobilidade no movimento, há silêncio no som.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu não bato no meu filho. Dou o exemplo.


Eu escolhi educar sem bater nos meus filhos.

Quando eu escrevo a frase acima, não estou julgando quem bate nos seus filhos, estou apenas afirmando que bater ou não bater é uma escolha. 

Um tempo atrás, antes de ser a mãe da Ísis, eu acreditava nas tais palmadas educativas. Como adulta e egoísta que era, detestava criança mal educada, manhosa, desobediente. Uns tapinhas...nada de mais!

Então veio o fenômeno de colocar no cantinho da disciplina e eu achei super legal! Uma alternativa aos tapas! Mas eu ainda não era mãe, era apenas tia.

Depois do nascimento da minha filha a ideia de bater nela era inconcebível! Nunca, jamais conseguiria! Claro que eu tinha um bebê em casa e bebês são seres mágicos, que nos hipnotizam, nos fazem babar por eles, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para satisfazer seus desejos e ganharmos aqueles sorrisinhos cheios de ternura! Eles não sabem, não entendem e são tão...fofos! O mesmo já não acontece quando nossos filhos perdem essa aura mágica e passam dos 3 anos...

O tempo passou, eu engravidei novamente e foi então que eu tive que começar a testar minhas convicções. O mal estar generalizado que eu senti durante toda a gravidez do Pedro fazia com que a minha paciência estivesse bem limitada. E a Ísis já não era mais aquele bebezinho. Era uma menininha cheia de energia, de vontades, de palavreados.

Senti vontade de bater nela algumas vezes antes do nascimento do Pedro, mas consegui respirar fundo e me segurar. Conversando sobre isso com uma amiga virtual ela me recomendou que lesse o livro da Laura Gutman: A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra. A questão não seria se segurar para não bater, mas sim caminhar rumo a não sentir vontade de bater. Aquilo me pareceu, na época, algo praticamente impossível!

O tempo continuou passando, o Pedro nasceu, os desafios do dia a dia aumentaram, a falta de sono fazia com que a paciência diminuísse. Mas eu seguia firme e forte sem bater, conversando, explicando, me afastando dela quando a coisa ficava por um triz. Algumas vezes, nos momentos de exaustão, eu gritei com ela. Gritei para me arrepender pouco depois.

O tempo da licença maternidade foi intenso, foi difícil, mas foi muito rico em aprendizados. Foi ali que a vontade de bater na Ísis quando ela fazia repetidamente algo errado se esvaiu. Eu internalizei de uma maneira tão drástica, fiquei tão conectada com a criança, a irmã mais velha que um dia eu havia sido e que recebera uma irmã, que eu simplesmente perdi a vontade de bater nela. Esse processo, de retroceder, relembrar a criança que eu havia sido e entender muitos dos comportamentos inadequados da minha mais velha, foi muito difícil psicologicamente. Eu estive cara a cara com as minhas piores sombras (Laura Gutman já havia virado livro de cabeceira), mas estava saindo vencedora deste embate, com um enorme ganho para mim enquanto pessoa, pois que passei a me reconhecer melhor e a trazer para mim, ainda mais, a responsabilidade pelas consequências dos meus atos.

A partir de então não era mais ela quem me irritava, mas sim EU quem estava cansada e com pouca disposição para seus arroubos infantis. Eu percebi que não era ela, a minha filha de 3 anos, a culpada pela minha falta de paciência. Não era ela quem estava me irritando, me provocando ao extremo. Era EU quem não estava em condições físicas e/ou emocionais para lidar com as situações difíceis que se apresentavam. E me dar conta disso, por mais óbvio que possa parecer, foi como um clic! Foi libertador! Reconhecer a minha incapacidade de lidar com algumas situações foi o primeiro passo para consolidar uma educação sem violência física na minha casa.

Não estou dizendo que não perco a paciência, que não tenho meus dias de fúria, de sombras, onde qualquer coisa me tira da linha, mas fui desenvolvendo maneiras de lidar com esses dias, com esses momentos, e as crises vão espaçando. Elas retornam sempre que EU estou cansada, com fome, com sono, frustrada.

E eu gostaria de poder dizer que a partir de então todos se entenderam e foram felizes para sempre, mas...isso não é um conto de fadas, é a vida de verdade e ela vem sempre cheia de muitos e muitos desafios. O dia a dia é muito corrido, o relógio é sempre um inimigo à espreita e as crianças não foram feitas para a pressa, a correria, os dias agitados. A culpa não é delas.

Eu perco a paciência com a Ísis muitas vezes, mais do que gostaria, com certeza. Quem tem filhos acima dos 3 anos sabe bem como é conviver com estas cápsulas ambulantes de energia, curiosidade e desafio! Não é fácil e se torna ainda mais difícil devido ao pouquíssimo tempo que temos para estar com eles, nossos filhos. Mas cada vez mais eu consigo controlar meus arroubos, meus momentos de grito, que podem até não ser violência física, mas é violência verbal e eu também quero deixá-los para trás.

Eu e marido conversamos muito sobre isso e traçamos algumas regras, dentre as quais a mais importante é a de que quando um de nós está muito cansado, o outro assume a questão para evitar cenas desnecessárias. Funciona sempre? Claro que não! Até porque em muitos momentos estamos sozinhos com as crianças e não há a quem recorrer. 

Outra regra de ouro é se afastar quando a crise já avança sem que pareça ter fim próximo. Pode parecer ridículo de dizer, mas nós adultos, por vezes, queremos medir forças com as crianças! Eu e marido por vezes ficamos num toma lá dá cá com a Ísis, que além de ser ridículo, é infrutífero! Não temos que ter a última palavra e temos que permitir que as crianças expressem seus sentimentos com segurança. O controle desses sentimentos virá com o tempo e a necessidade. O adulto da relação somos nós.

E a educação sem surras está sendo extremamente válida nesta fase em que a Ísis iniciou a escola. Quem tem filhos na escola sabe que sempre rolam uns empurrões, uns tapas e até mordidas devido a competições por brinquedos ou pela atenção da professora. Como não batemos nela fica mais fácil exemplificar como esse comportamento é errado, mas se fizéssemos uso dos tapas, como dizer a ela que ela não pode bater nos colegas da escola? Ou no irmão? Como dizer que isso é errado?

Infelizmente ainda há pessoas que confundem educação sem violência física com educação sem regras e limites, sem penalidades quando essas regras são quebradas. Como toda família, nós também temos nossas regras de convívio, mais ou menos elásticas dependendo da situação. A Ísis conhece as regras e quebra-as constantemente! Normal, ela é uma criança de 3 anos! Tem muito adulto que não segue as regras de convivência, as leis vigentes e não apanha por isso...

Não raras vezes eu ouço ao dizer que não bato nos meus filhos, que uma palmadinha de vez em quando não faz mal, ou que quando as crianças passam dos limites só uma palmada resolve. Pode resolver no momento, ou por algum tempo, mas crianças são crianças, apanhando ou não. Todas vão aprender a conviver em sociedade, a respeitar os outros, a seguir as regras vigentes mais cedo ou mais tarde, cada uma a seu tempo.  

A diferença entre uma criança que apanhou e uma que não apanhou pode não ser visível no mundo adulto, mas ela existe com toda certeza. A diferença de relacionamento entre pais e filhos de famílias que fazem ou não usam de violência pode não ser visível em primeiro plano, mas ela existe com certeza. A escolha sobre que tipo de família e filhos queremos é de nossa única responsabilidade.

Outros textos da campanha:

Chezlesbeaup




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

9 meses






Pedro, Infante, Bica, Pepê, Pedrão, Pedroca, Pedrinho, Sheik, Mano,


Eu te amo, meu filho.

Eu amo sua risada gostosa, seu pé chulé, seu pescocinho azedo; mas eu também amo seu choro, que me mostra que há algo de errado, amo seus gritos raivosos, que me demonstram o quanto você ficou chateado com alguma coisa.

Eu amo seus beijos babados e sua mão pesada querendo me acarinhar, mas, confesso, tenho ganas quando consegues pegar os meus cabelos e quando mordes o meu peito.


9 meses, filho!

E eu nem sei bem o que escrever para você nesse dia, não porque não seja especial, mas porque você simplesmente está, você é, você faz parte, sempre fez, tanto fez que não consigo imaginar como era ser mãe apenas da sua mana. Não consigo mais lembrar.

Você chegou e para mim foi como se sempre estivesse aqui, ali, em algum lugar esperando sua hora. E que hora, meu filho, que hora gloriosa essa em que você veio para nós. Eu nunca mais serei a mesma depois de você.

E se no início você foi o meu bebê misterioso, envolto numa névoa, que por vezes me deixou preocupada, agora você é, você está, você diz. Nossa ligação se fez profunda, nosso vínculo se forjou naquele dia especial. Fomos guerreiros, eu e você. Somos guerreiros.






sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fábula: O Jogo de Basquete

Tem dias em que meu pensamento viaja no tempo, não em busca do que já vivi, recordações de um tempo que se foi; mas sim viaja adiante, além, para o futuro desconhecido...


Os times foram sorteados no palitinho. O pai ficou com a filha, a mãe ficou com o filho. O jogo era de basquete. A menina deu um sorrisinho maroto, ela sabia que a mãe era péssima nesse jogo; o menino baixou os olhos já frustrado, perder seria o previsível.

A partida começa. Pai e filha são inegavelmente superiores no esporte. E são mais altos! A menina havia dado aquele estirão da adolescência. A mãe custava a crer que aquela moça, mais alta do que ela mesma, já havia cabido em seus braços, em seu ventre. Já o menino, apesar de ser apenas dois anos mais novo que a irmã, ainda possuía aquele ar infantil e desengonçado, ainda mais baixo que a primogênita.

Mãe e filho perdem o primeiro dos três tempos da competição. A mãe olha para o menino. Ele não gosta de perder, vamos ter que nos esforçar mais. A mãe olha feio para a menina que implica com ela e o irmão. O pai faz coro, melhor entrar na brincadeira.

Os tempos acabam e não há dúvidas: pai e filha são os vencedores da partida. Enquanto os vencedores fazem dancinha da vitória, riem, a mãe percebe que seu caçula senta desanimando no degrau da escada.

- Que foi, filho?
- Nada, mãe.
- Estás chateado por termos perdido, né?
- Tô nada, mãe, só tô cansado, só isso!

A mãe senta ao lado do filho na escada.

- Filho, tudo bem ficar chateado por ter perdido, não há nada de errado nisso, ao contrário, é normalíssimo. Todo mundo espera vencer quando inicia uma empreitada e é assim que deve ser, mesmo quando claramente está em desvantagem. Jogar sem vontade de vencer não vale a pena, melhor nem começar.
- É, mas vontade só não adianta! ele responde nitidamente mal humorado.
- Tens razão, não adianta. É preciso muito mais, mas é a vontade de vencer que nos move a buscar os recursos necessários, não é?

O filho não responde. A mãe passa o braço em volta do ombro dele. Hoje ele deixa e ela aproveita.

- Vencer é legal, eu sei, eu também queria ter vencido aqueles dois provalecidos! a mãe continua com um sorriso no rosto, - Mas nós lutamos bravamente, não foi? Minha consciência está tranquila, eu fiz o melhor que pude no momento. E você? Fez o melhor que pôde ou fez corpo mole já conformado com a derrota?
- Claro que não, mãe! Eu me esforcei também!
- Então! Isso é importante também. Não vencemos a partida, porque eles mereceram mais do que nós. Hoje. Amanhã, quem sabe?

O menino sorri.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Desfralde: conta aí!

Recuperada da minha perda de ontem, resolvi escrever um pouquinho sobre o desfralde (novamente). Como escrevo muito, o pouquinho vai virar um baita texto, que, espero, o blogger não faça o favor de apagar!

Eu nunca escrevi antes (e nem pretendo agora) escrever cada etapa do desfralde, porque acho que é algo muito particular de cada família. O dia a dia, como a família vai lidar com as escatologias da criança, se penico, se redutor, se festinha, se bronca, se desfralda tudo, se vai por etapas, diurno primeiro, noturno primeiro, sei lá, são muitas variáveis! Vou contar o que nós fizemos e nossas escolhas diante de cada momento principal.

Eu nunca tive pressa para desfraldar. Tinha uma preguiça danada, nunca quis forçar e sempre acreditei que poucas crianças com menos de 2 anos desfraldam com sucesso. Quando eu digo sucesso eu quero dizer com o mínimo de vazamentos possíveis, porque para mim, se alguém diz que uma criança desfraldou mas a pobrezinha fica fazendo xixi e coco nas calças todos os dias, tem algo errado aí.

Interessante como a cada processo eu vou me lembrando de mim mesma na mesma fase. Péssimas lembranças! Xixis na cama, nas calças, coco nas calças, horas e horas sentada no vaso sanitário se segurando até doer o pulso (porque naquela época não se usava redutor de assento), ou até adormecer as pernas...aquela torneira ligada pingando água, som dos infernos, e você ali, sentado, impaciente ou cansado, louco para sair correndo e fazer outra coisa!

Decidi que não faria assim. Aqui em casa não mudamos em nada a rotina da Ísis durante o processo de desfralde, o que significa dizer que nunca a coloquei no vaso ou no penico sem que ela me dissesse que queria fazer xixi ou coco; nunca levei para fazer xixi assim que acordou sem que ela estivesse com vontade, nunca acordei no meio da noite para levá-la ao vaso sanitário; não diminui a quantidade de líquidos que ela costuma ingerir a noite. Nunca liguei a torneira para ficar vazando água.

Mas teve bronca! Quando eu percebia (e aí é um juizo meu, como mãe) que a danadinha fazia nas calças porque estava com preguiça de levantar do sofá durante o desenho ou brincadeira. Nada demais, mas num tom de voz que não deixa dúvidas que não é legal fazer xixi no sofá porque está com preguiça de levantar.

Com as escapadas porque, putz, não deu tempo, nunca chamei a atenção ou dei bronca. Ela mesma quando fazia já dizia "não tem problena, acontece, eu aviso da próxima vez". Lindinha!

Tive que voltar atrás na decisão de não usar penico, comprei um simples e usamos por 1 mês. Depois desse período ela passou a usar um redutor de assento simples e apoiava os pés num banquinho de madeira que já tínhamos.

No desfralde diurno o primeiro dia foi uma festa! Ela amou, fez xixi e eu fiquei esperando pelo segundo dia, que foi o caos, ela não fez de jeito nenhum! Eu percebia que ela queria fazer xixi, mas ela não ia no penico, nem no vaso. Coloquei a fralda e ela transbordou. No terceiro dia mesma coisa! Ela ficou tão nervosa nesse dia que chegou a chorar porque queria fazer xixi, mas não fazia no penico e nem queria colocar a fralda! Foi o caos! Resolvi dizendo que se ela não colocasse a fralda não poderia ir na minha cama. Ela colocou e fez xixi.

A noite conversei com marido e resolvemos dar um passo atrás: tiraríamos a fralda apenas na parte da manhã e colocaríamos a fralda a tarde, após o almoço, para que ela ficasse tranquila para fazer coco. Ficamos assim por mais 3 dias até que ela me pediu para tirar a fralda porque estava machucando.

Fiquei meio apreensiva porque era a tarde, mas expliquei que tudo bem com uma condição: que se ela quisesse ficar sem fralda teria que fazer xixi e coco no penico. Ela concordou. Naquela tarde fez coco no penico e ela passou a adorar ver o coco depois de feito! :)

Mais 3 semanas de penico, com algumas escapadas, acho que umas 2 vezes na semana isso acontecia, e ela pediu para usar o vaso grande. Compramos um redutor simples e deu certo. Abandonamos (grazadeus!) o penico.

Por 3 meses usávamos fralda quando íamos sair por um período longo até que ela finalmente passou a fazer xixi e coco em banheiros alheios. A partir daqui tenho sempre lencinho umedecido na bolsa quando saio e álcool gel.

Quando marcávamos já 6 meses de desfralde diurno e com o tempo mais quente comecei a notar a fralda: dias cheia e dias vazia. Mas algo me dizia (mais uma vez juízo meu, como mãe) que ela fazia na fralda depois de acordada e não durante a noite. Deixei quieto e fui falando que depois do casamento do tio dela não haveria mais fralda a noite.

E assim foi. Começamos o desfralde na sexta feira para acompanharmos melhor. Na quinta fizemos toda uma festa para a última fraldinha (não é necessário, mas é divertido! :)) e na manhã seguinte ela mesma me disse que aquela havia sido sua última noite com as fraldas, agora ela seria Trilo!

Trilo e Tâter são amiguinhos do Urso da Casa Azul e participam de um episódio especial sobre o desfralde, que ela adora. Usamos o Tâter para identificar a fase do desfralde em processamento e de Trilo para o desfralde completo. Ela assimilou bem a ideia.

O desfralde noturno foi ainda mais fácil que o diurno! Sucesso total! Sem vazamentos desde que iniciamos há quase 2 semanas!

Desfralde completo: 3 anos e 7 meses
Desfralde diurno: 2 anos e 11 meses

E é isso, pessoal!



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Desfraldô ôuôÔ, desfraldô!

Imagem: arquivo pessoal

Desfralde noturno completo!

E é isso, pessoal!

:)

Tinha feito um baita texto, mas o blogger me sacaneou e apagou tudo, quis morrer!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Pedro pode, mamãe?

Imagem: arquivo pessoal

Essa tem sido a pergunta da vez em diversos momentos. Em outros tantos ela me diz que o Pedro não pode isso ou aquilo porque meninos não podem. 

Alerta ligado. De onde vem isso? De mim e do pai é que não, ainda, mas ela pode ouvir de nossas funcionárias e na escola. 

Ela acha que rosa é cor de meninas (por quê será?) e se recusa veementemente a usar um casaco de tricô laranja, bege e marrom porque ela disse que é de menino! 

Ô mundinho besta esse! É muito fácil o mundo lá fora desconstruir em segundos o que você levou pouco mais de 3 anos para construir. Mas eu sigo firme porque sei que na vida adulta será o que ela vivenciou na própria família o que ela levará como exemplo de vida. Bom ou ruim.

...

Mas também temos aqueles dias em que a pergunta é assim, desprovida de julgamento de gênero, mas eu não compreendo, o que me leva sempre a pensar e repensar que as crianças são tão mais simples, tão mais puras, tão mais encantadas!

- Mamãe, o Pedro pode usar? ela me pergunta apontando para o seu boné todo trabalhado nas flores rosa e lilás. Eu não perco a chance e respondo que, sim, o Pedro pode usar, já me achando a revolucionária por dizer que o meu filho macho sangue bom pode usar boné de flores rosa e lilás!

Ela me olha e coloca o boné na cabeça do irmão. Fica enorme, ele fica agoniado com aquilo, eu tiro. Ela retruca:

- Mas mamãe, você disse que o Pedro podia usar!  

Ah, tá...a pergunta dela não estava inoculada de conceitos machistas, sexistas, do pode não pode dos gêneros. Ela só queria saber se o Pedro podia usar aquele boné, ponto; não aquele boné rosa e lilás que a sociedade ensina que foi feito para meninas!


Menos, Janine, menos... :)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sou masculino e feminino?

Imagem: arquivo pessoal


O que é ser mulher?
.
.
.
O que é feminino?
.
.
O que é da fêmea humana, mamífera, ser natural e pertencente à biosfera?
.
.
.

...

O que é ser homem?
.
.
.
O que é masculino?
.
.
.
O que é do macho humano, mamífero, ser natural e pertencente à biosfera?

...

Minha cabeça está dando voltas e mais voltas. Ao ter filhos de sexos diferentes eu pensei que meu maior desafio seria não cair na armadilha do machismo social e da falocracia; mas o desafio é bem maior que esse. Passar valores, ajudar na definição de conceitos, valorizar o masculino e o feminino em meus filhos parece ser uma tarefa hercúlea.

Vencer minha própria hiprocrisia. Libertar meu espírito das convenções. Dialogar e exemplificar.

Como? Se mal consigo responder às questões acima sem cair na falácia dos discursos pré concebidos onde valorizo o feminino e a inserção da mulher no mundo masculino, mas rechaço o contrário, salvo quando me convém, quando o masculino invade as atividades domésticas e o cuidado com os filhos?

...

A Ísis joga futebol com o pai. Usa camisa do timão. Eu sempre a incentivei a isso, o pai também. Ela não escolheu chutar a bola com os pés. Fui eu quem disse a primeira "chuta a bolinha, é gol!" Sempre digo que ela pode fazer tudo que quiser. Alguém discorda?

...

O Pedro, ainda é pequeno, mas já me deparei com situações em que coloquei à prova minha maneira de pensar. E o resultado não foi bom.

Eu o incentivarei a dançar? E quando ele balangar o bumbum, movimento prá lá de natural nas crianças (e nada vulgar nessa idade), eu vou me sentir desconfortável? Se ele quiser colocar algo no cabelo, como a irmã, eu vou achar ruim?

Eu deixarei que ele saia de casa usando tic tacs no cabelo ou saia, se ele assim desejar? Ou eu irei repetir o discurso do "menino não pode"?

Se menino não pode tantas coisas, como ele reagirá ao perceber que a irmã se insere nas atividades dele, mas ele não poderá inserir-se nas dela?

...

Por quê a barreira entre os gêneros parece estar ruindo apenas para a inserção das mulheres no mundo masculino, mas não o contrário? Temos um problema aqui...

...

E eu volto às perguntas acima:

O que é ser mulher?
O que é feminino?
O que é ser fêmea humana, mamífera, natural, pertencente à biosfera?
O que é ser homem?
O que é masculino?
O que é ser macho humano, mamífero, natural, pertencente à biosfera?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desaprendendo na escola...

Imagem: arquivo pessoal


Enquanto pego a mochila da Ísis, a professora (que aqui é chamada ridiculamente de prô) me chama a um canto e conta animada:
- Ai, hoje tive que rir da Ísis!
Eu, disfarçando o mal estar que a frase me causou, pergunto: por quê?
- Eu apelidei ela de Ísis Valverde (pode isso, Arnaldo, apelidar os alunos?), né, a menina piriguete da novela.
(Céus, eu penso, não bastasse agora todas as Adrianas serem "esteves", todas as Reginas serem "duarte", todas as Déboras serem "seco" ou "falabella", agora tenho que ouvir o adjetivo piriguete vindo de uma professora, pasmem, de escola particular que segue o sistema Positivo de ensino. Morro e não ouço tudo).
Diante da minha expressão pasma, ela continuou:
- Então, eu comecei a chamar ela de Ísis Valverde e ela se revoltou comigo, me disse braba que não era verde, era branca e que ela não tinha pasta verde na garganta! kakakaka.
Minha reação?
?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
Seguida de um sorriso prá lá de amarelo e uma vontade louca de sentar com aquela prô para conversarmossobre educação, bulim, apelidos, etc...

...

Dia desses ela chega em casa toda chorosa perguntando pelo presente dela. Eu fico sem entender nada, pois presentes aqui em casa não tem muita importância e nunca dizemos que vamos dar, comprar presente para alguém. Quando queremos nos presentear, nos presenteamos e às crianças. Mas ela continuava chorosa e me perguntando pelo presente dela.
- Que presente, Ísis?
- O meu presente, hoje é dia de ganhar presente!
- Quem te disse isso, minha filha?
- Hoje é dia de ganhar presente, a prô disse que no natal a gente ganha presente, que o papai noel traz!
Ah...
Entendi.
Nem saímos de outubro e ela já está sendo bombardeada pelas histórias de natal, presentes, papai noel. Mais presentes, que outra coisa, pelo visto. Respiro. Conto e largo:
- Filha, olha só, presente não tem dia para se ganhar. Presente é algo que a gente dá quando quer, quando tem vontade. Não precisa ter um dia para ganhar presente, mas realmente é tradição se presentear as pessoas no dia de natal. Não é uma obrigação. O natal está longe ainda, não se preocupe com presentes. Você não ganha presente da mamãe, do papai sem ser dia de natal?
- Uhum.
- Então...(aqui ia enveredar por uma ladainha sobre consumismo, há, mas achei que já estava bem complexo para ela e emendei um agora vai lá aproveitar o sol e brincar).
Ela sai porta afora e percebo que neste ano o enfoque do natal será diferente aqui em casa...

...

Percebo que há dias o lanche dela volta intacto. Converso com a professora na saída da escola. Ela me conta que os colegas se convidam para seus lanches e que a Ísis se alimenta bem, come o lanche dos coleguinhas.
Há.
E que lanche trazem os coleguinhas?
Aham...isso mesmo: chips, bolacha recheada, cereal cheio de açúcar e chocolate, quando não balas, chocolates e afins.
Não são todos, claro, mas uma grande parte deles. E ela, que é uma formigona, vai direto nos doces alheios e recusa seu sanduiche, seu bolo caseiro, seus sucos naturais e frutas.
Falo que ela não deveria lanchar esses alimentos todos os dias e que teríamos que estudar uma forma das crianças se alimentarem de maneira mais saudável na escola. Ela, a professora, me diz que somente na sexta feira é que os pais poderiam levar lanche livre (= menos saudável). Mas essa não é a realidade.
O grande problema para mim é que o consumo de alimentos muito industriais e cheios de açúcar faz com que o paladar da Ísis fique muito alterado e ela deixa de comer as frutas, os legumes, os sucos naturais, que possuem sabor mais suave e não tão doce.
Já passamos por isso com o nascimento do Pedro, quando entre inúmeras novidades, perdemos a mão com a alimentação dela. O resultado foi que pouco tempo depois percebemos que ela já não queria comer os alimentos mais naturais, apenas os industriais! Cheios de açúcar e corantes!
De lá para cá, voltamos com a alimentação mais natural para ela também e quando ela foi para a escola já havia normalizado. Porém, com esses lanches coletivos, a coisa tá saindo dos eixos novamente.
O que fazer?

...

Quando fiz a matrícula da Ísis na escola dela percebi que estava sendo instalada uma cozinha na cantina, onde as crianças aprenderiam a preparar alimentos saudáveis (assim me enfatizou a diretora), aprenderiam sobre os alimentos e os utilizariam como subsídio para aprendizados mais experimentativos.
Eu, claro, adorei a ideia!
Mas a realidade é sempre muito diferente da teoria e em dois meses de cozinha experimental a única coisa que as crianças aprenderam a fazer foi bolinha de brigadeiro comprado de pote no supermercado (ainda se fosse o natural, ao menos poderiam perceber a transformação daqueles ingredientes em algo novo e tirarem algum aprendizado daí) e mini pizza. Ou seja: teoria 10 X prática 00.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Despertar II

Imagem: arquivo pessoal

Estou sonhando. Acho que estou na praia, lagarteando ao sol. Escuto apenas o barulho das ondas e o marulhar da brisa. Algo começa a me encomodar, parece uma tosse! Alguém está gripado aqui perto, coitado! A tosse não para, vai ficando meio nervosa, parece...parece o Pedro! 

Abro os olhos, pego o celular embaixo do travesseiro: 06:30 da matina. O sol, nesse sul do sul, ainda nem apareceu e o menino já acordou! Levanto cambaleante, coloco meu melhor sorriso matinal no rosto e dou um bom dia, meu gotoso! Ele sorri e agita os bracinhos. Sempre acorda de bom humor, todo sorridente! Eu abro as janelas para em seguida pegá-lo no colo. Sentamos na poltrona e iniciamos o dia com a amamentação.

Depois de mamar ele começa seu falatório matutino, dá gritinhos, pula no meu colo. Vamos trocar a fralda. Ele fica numa brincadeira de levantar e baixar as pernas roliças. Quer pegar pomada, fralda, lencinho da minha mão.

Vamos todos tomar café da manhã. Coloco-o no cadeirão e dou alguma coisa para ele comer. Não coloco no prato, mas sim na bandeja do cadeirão: frutas cortadas, biscoito, pão, bolo caseiro. O que estiver disponível. Ele come tudo!

Depois do café vou me arrumar para o trabalho, ele fica na minha cama. Ora me chama, resmunga, ora se distrai com alguma coisa. Pego no colo um pouco entre uma peça e outra; devolvo na cama. Escovo os dentes com ele no colo, e o danado quer pegar a minha escova!

Quando estou quase pronta ele reclama mais. Acho que já sabe que vamos sair para trabalhar. O pai tem que deixá-lo com a babá para a saída ser menos ruim. Um cheirinho no pescoço, ele me olha meio choroso, o pai o leva para a babá. Ainda escuto uma resmungada, um gritinho reclamão quando cruzo a porta em direção ao carro. Mais um dia que começa...


Fiquei encantada com a seleção deste texto para o TOP FIVE do Recanto das Mamães Blogueiras! Obrigada, queridonas!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Despertar


Imagem: arquivo pessoal

Ouço o grito do despertador. Ao invés dos tradicionais bléim-bléim, prim-prim ou a música escolhida no celular, o meu toca assim: mamãããeeee, quero tetiiinhooooo! Invariavelmente às 07:00 horas da matina, mesmo aos sábados, domingos e feriados. Mesmo nas férias. 

O chamado só para quando eu levanto da cama E vou até o quarto - nem pensar em levantar e ir direto preparar o tétinho, o chamado não para -, dou um beijo de bom dia, um cheirinho no pescoço, que exala cheiro de travesseiro e suor e aviso que já vou preparar o tétinho. Na maioria dos dias não recebo um bom dia de volta. Mau humor matinal. Não posso reclamar, eu só viro gente depois do café da manhã. Mas tem aqueles raros dias em que eu recebo um feliz e sorridente bom dia, mamãe. É a glória!

Tétinho pronto, levo. Sempre o mesmo pedido: você fica aqui 3 minutinhos, tá bem? Nem sempre eu fico e quando eu não fico a pergunta que não quer calar é: não poderia mesmo ter ficado? Minha vida ficaria tão mais atrapalhada se eu ficasse mais 3 minutinhos ali? Se fico, fico. Se não fico, aviso que preciso preparar o café da manhã ou qualquer outra coisa do cronograma de afazeres diários.

Café pronto. Tétinho devorado. Vamos todos para a mesa. Ela não come. Já desisti de insistir. A fome dela virá mais tarde. Mas se ela não come, fica tentando roubar requeijão, doce de leite, manteiga e queijo. E como temos um canto alemão, ela fica pulando, dançando, subindo e descendo das costas do pai. O café da manhã fica entrecortado por pedidos e avisos de não pode, não coloque a mão, não, isso é para comer com pão, cuidado que você pode cair, saia das costas do seu pai. Há aqueles dias em que desisto, volto a ser criança e finjo que não vi o dedinho indicador furando o pote de doce de leite, ou a mãozinha que dá aquela beliscada na pontinha do queijo muçarela. Ignoro os perigos da queda. Do chão não passa.

Depois, a parte chata, cansativa. Trocar de roupa, pentear os cabelos e escovar os dentes. Ô luta diária! Ela quer escolher a roupa, mas se deixar usa sempre a mesma. Tem as preferidas dela que mal voltam da lavanderia e já vão para o corpo. Não posso culpá-la. Quando me casei aos 25 anos ainda usava a mesma camisola de algodão que havia ganhado da minha madrinha aos 15 anos. Foi comigo para a noite de núpcias e lua de mel.Um dia ela havia sido azul. Quando me desfiz dela, não havia como identificar se aquilo era uma vestimenta ou um pano de chão.

Pentear os cabelos. Tão lisos! E fazem um emaranhado na nuca difícil de desfazer. Por mais cuidado que eu tenha, ela sempre reclama, mia e foge. Fica parada, eu digo, se você sai correndo é pior! Mas não adianta, ela diz que dói e que não vai escovar os cabelos. Deixa assim, mamãe! Ela briga, a danada.

Escovar os dentes. Houve um tempo em que ela adorava, agora foge da escova de dentes como o diabo foge da cruz. Dificulta, não abre a boca, coloca a língua para fora. Fica escorregando, pulando, se virando. Não para quieta um segundo. Perco a paciência, digo para ficar quieta, abrir a boca, facilitar, se comportar. O dente vai ficar podre, como aqueles que você viu na foto, é isso que você quer? Aham, ela me responde, com o seu inconfundível arzinho blasé. Ai!

Quando saio para trabalhar, ela me dá tchau, mas eu tenho que pedir o beijo. Beijo na mamãe! E ela faz com a boca, de longe, estalando os lábios: muack, muack. Acena com a mão. Bom trabalho! ela me diz.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um dia de vídeos

Imagem: arquivo pessoal

A solidão é o maior perigo para um mamífero.

Costumamos subestimar o desafio que implica comprometer-se com as crianças.

Ninguém pede o que não precisa. Simplesmente o tempo dos bebês (e das crianças) é diferente do tempo dos adultos.

A avó é muito importante. É lindíssimo ser avó, mas antes disso foste mãe. Então, que sigas sendo mãe e materne a essa mãe, sua filha, que está maternando.

Frases extraídas e livremente traduzidas com meu parco espanhol de vídeos de Laura Gutman, no youtube.

As mães tem medo de que se deixarem os filhos escolherem livremente o que comer, eles só escolherão comer aquilo de que gostarem. Alguém come o que não gosta? 

O interessante é que os bebês levam tudo à boca. Menos a comida. Os bebês levam papéis, terra e uma série de cacas à boca. Mas a comida não. Na comida que comem eles não podem tocar com as mãos.

(o que me fez lembrar agora que o Pedro tem uma predileção por papel, quando pega um fica lá chupando até soltar um pouco e se eu tiro da boca dele faz um choro magoado por se ver sem a iguaria!)

Se deixarmos o bebê livre para escolher o que comer, dentro do que come saudavelmente a família, ele vai aprendendo a decidir, a tomar decisões, pois começou a fazê-lo já com sua própria comida.

Frases extraídas e livremente traduzidas com meu parco espanhol de vídeos de Carloz Gonzalez, no youtube.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Quem é a parteira?

Achei lá no blog Parto no Brasil.
Lindo.
Saudade desse dia tão especial!


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Do que se perdeu...

Meu celular já era, morreu, dançou, quebrou, se foi. Disse o cara que foi a placa...

E o que mais me dói é a perda de um vídeo do Pedro, o vídeo mais lindo de todos, dando gargalhadas enquanto brincava de esconder com o pai usando um paninho...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Rosa para meninos


Quando estava grávida do Infante teorizei um pouco sobre o uso e desuso do rosa  - entre outras coisas - para meninos. Passada a teoria, cheguei na parte prática e pouco atrativa de tudo que é másculo para bebês. 

Nas lojas de roupas, roupas de cama, acessórios, os meninos também sofrem com a monotonia do azul e verde. Sorte do Pedro que ele herdou alguns itens rosa da mana.

1 - Altaneira sobre a pilha de mantas azul e cinza, a manta quadriculada em tons de rosa deixa tudo mais feliz e combina deveras com bochechas rosadas e pés de chulé:



2 - Mas não é menino? É sim, mas a ovelhinha de sua janela vai ter cachecol rosa com poás. Adornam perfeitamente com os bichos da selva...em azul e verde, tão comuns (mas não menos lindos) que acabaram ficando sem registro.

3 - E o que dizer daquele body "love", todo trabalhado no ombré rosa? Mais que usado pela mana. Presente de uma amiga querida, cidadã do mundo, que hoje vive em terras curitibanas. E ele fica todo amoreco, todo sorvetinho de morango (caseiro!). Só não posso conjugar duas peças rosa no mesmo modelito...papai não gosta...


4 - E os acessórios, claro, todo bebê que se preze tem os seus mordedores e afins. E o primeiro segundo filho tem os herdados da irmã. Muito lilás e rosa para quebrar a hegemonia do azul e verde.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Amamentação: o que eu ainda não te disse



Como em quase todos os dias desde que nasceu, o Infante acordou plácido em seu berço e não chorou. Em vez disso começou um bate papo com as cobertas. Em um minuto, uma tossezinha nervosa me avisa que está na hora de levantar e começar o dia alimentando meu bebê.

Já se vai longe na memória aqueles primeiros dias nervosos de amamentação de um recém nascido. Não adianta, por mais filhos que se tenha, cada experiência é única.

Passados os primeiros trinta dias, ultrapasso o marco da sensibilidade dos bicos dos peitos, mas ultrapasso também aquela boa vontade de levantar madrugada à dentro. Por mais lindo e necessário que seja, eu só queria ficar quentinha e quietinha na minha cama.

Sessenta dias de amamentação. Chego na marca brasileira do desmame. O desmame por aqui está longe, muito longe. Mas temos um novo problema (?). O Bicho agora quer mamar. Ela sempre teve uma afeição pelos meus peitos, mesmo depois de parar de mamar, mesmo depois de "grande". Ver o irmão mamando, sendo acalentado e acarinhado, despertou nela uma vontadezinha. Não de leite, mas de aconchego. Aquele colo já não é mais apenas seu. Aquele olhar, já não é mais apenas para ela.

Um dia ela me pediu para mamar. Eu deixei. Triste foi verificar que ela havia esquecido como fazer para retirar o leite do peito. Ela me olhou meio frustrada, meio triste. Mas não sai leitinho, ela me disse. Você precisa sugar, como na mamadeira, eu expliquei. Nada. Não tem problena, ela me disse, com aquele errinho de fonema que eu acho tão bonitinho. Não filha, não tem, você já mama na mamadeira, eu acrescento, como se aquilo fosse algum mérito, uma evolução da arte de mamar.

Então o amamentar virou um momento de carinho para ela. Não de mim para ela, mas de mim para o irmão. E ela se sentiu excluída daquele momento. Pediu para que eu não desse de mamar, que o papai desse então! Mas o papai não tem leite!

Difícil. Se o Infante não mamasse, eu passaria mais tempo com o Bicho, porque a mamadeira qualquer um poderia dar. Meu peito não. Meu peito e meu leite eram meu presente para meu caçula. Impossível não filosofar sobre o papel da amamentação no vínculo com o bebê. Até crianças pequenas, muito pequenas mesmo, ao ponto de não conseguirem falar a palavra problema sem erro de fonema, são capazes de perceber que dar de mamar não é apenas alimentar.

Penso em divisão e passo a não gostar mais dessa palavra. Não quando sou o objeto da divisão. Não dá. Não posso me dividir, não consigo. Então vamos compartilhar. Mãe não se divide, se compartilha.


Noventa dias. Estamos no final da exterogestação. Minha vida com meu bebê é um eterno ciclo de mamadas, trocadas, slingadas, cochiladas. E a noite fria do inverno sulista me desanima. Difícil sair da cama aquecida para colocar os peitos para fora às três da manhã. Amamentar não é fácil nesse inverno do cão, eu penso.

Um dia, depois do banho, o Bicho me pede para mamar novamente. Como sempre, eu deixo que ela abocanhe o meu peito. Ela me olha e eu tenho um vislumbre de nossos primeiros momentos juntas. Saudade. O peito estava cheio e começa a pingar. Olha mamãe, tá saindo leitinho. Pode mamar, eu digo. Ela põe na boca e acha estranho. Estranho. Pode? Esse tétinho é natural, eu explico, não tem chocolate. Eu me sinto falando ao contrário, como aqueles antigos LPs quando girados na contramão. Contramão.

Cento e vinte dias. Vamos evoluindo, assim como o inverno. Agora já é difícil deixar os peitos descobertos de dia. Santa lareira! A cada mamada eu arrepio só de pensar no toque gélido da boca e das mãozinhas do meu bebê. A primeira no seio, que está quente e farto. A segunda nas costas. Ele fica lá arranhando minhas costas com aquelas unhas de gatinho. Por fim nós dois nos aquecemos um no outro. O bebê cochila com as bochechas rosadas.

Cento e oitenta dias e o início da ordenha. Começo difícil, como todo começo. Sinto falta do meu bebê quando o leite sai. Sinto frio, um frio imenso depois de ordenhar meu leite. Não era para ele sair assim, sozinho, isolado, retirado com o barulho do motor da máquina. Morro de frio. Só o meu bebê me aquece.

Por outro lado sinto uma certa satisfação ao encher um bom pote daquele líquido branco e ralo. Ralo. Há!

O Bicho finalmente parece melhorar sua relação com a amamentação do Infante. Tantas conversas. Tantas! Tantos carinhos, tantas fotos e descrições de quando ela mesma era um bebê. Agora ela só pede que eu o amamente ali, ao lado dela. Com a mão livre eu lhe faço um carinho, ou impeço que ela se jogue sobre a cabeça do irmão. Nem sempre consigo.

Seis meses. Completos! Chegamos na marca. Mas e agora? Meu leite venceu, deixou de ser alimento importante para o meu bebê, assim, só porque atingimos essa marca? Começo a introdução de alimentos com muita cautela, assim, meio enciumada daquele mamão amassadinho que ele abocanha com curiosidade. Não somente eu, mas eles, os peitos, ficam ressentidos da falta que o bebê faz. Dóem e gotejam o leite desperdiçado. Ele já não mama mais como antes. Agora ele come. Sua gengiva mastiga tudo que lhe oferecem. Com gosto. E eu gosto.

Mas as madrugadas...ah, nelas os peitos ainda imperam! Com uma chupeta aqui e ali, quando é o pai quem vai atendê-lo. Ele, o Infante, pode querer mastigar de tudo durante o dia, mas à noite é a sucção que o faz ninar. No peito, quase sempre. Ainda.

Oito meses. Minha marca fatídica. Foi aqui que o Bicho desmamou, e naquela época eu achei normal. Tolinha. Caí na emboscada. O Infante começa a dar os primeiros sinais, aqueles sinais de não querer mais ficar ali, olhando meus peitos, quando existe um mundo tão colorido em volta. Ah, mas desta vez eu estou preparada! Não vou me preocupar. Vou apenas seguir o caminho, dar tempo ao tempo. Deixá-lo livre para demandar.

E ela já está tranquila com a amamentação do irmão. Faz meses que não me pede para mamar. Agora ela quer experimentar as comidas que o irmão come. Tudo que ele come ou toma, menos o leite do peito. Esse ela tomou, um copinho de 50ml de uma ordenha. Achou docinho o tétinho natural do mano, mas o dela tem chocolate! Vai seguir assim.

Espertinha. Sabe que o mano fica tranquilo quando está mamando, de maneira que, quando ele está conversador, gritador, peraltiando em volta, atrapalhando a brincadeira ou o desenho favorito dela, logo escuto a frase: dá de mamar prá ele mamãe, ele tá com fome! Agora enquanto ele mama, ela faz carinho na cabecinha dele, beija as bochechas rosadas. E ele para de mamar para sorrir para ela.

Não há cheiro que me dê mais saudades do que o cheiro da amamentação exclusiva. Aquele azedinho de leite materno, mas meio adocicado, suave. Pele, leite, calor. Proteção. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cenas

Ela corre até a casinha com escorregador, depois do balanço, seu brinquedo preferido. Um bolinho de crianças se divide entre a escada e a prancha. Ela espera sua vez de subir e eu observo de longe, do banco, e não ao lado dela como antes. Ela já sabe subir, eu penso, já sabe. Não preciso ficar ali ao lado.

Lá de cima da casinha um menino de boné cospe nela. Ai, ela diz, isso é baba!, constata. Não pode babar!, avisa. O menino não obedece e cospe novamente. Ela não se abala, limpa a manga da blusa de lã e segue subindo. Ao passar por ele na casinha faz cara feia, mas não diz nada e se dirige para o escorregador. Senta faceira e escorrega sorridente, levantando os braços.

Observo com o coração na mão, mas me controlo. O pai não. Levanta e fica lá ao lado da casinha, não diz nada, mas sua presença anima outros pais que também ficam por ali. O menino de boné, intimidado pelos adultos em volta, para de cuspir.
...

Ela espera sua vez de subir as escadas. Sobe devagar, com cuidado, como eu ensinei. Lá de cima uma menina ruiva grita: Tú não pode subir! Desce! Ela grita de volta: Pode subir sim! É de todo mundo, tem que dividir! E segue subindo.

Não posso deixar de sorrir com orgulho.

Ela passa pela menina ruiva e sorri. Sem mágoas. A menina responde com uma cara feia, ela se dirige ao escorregador e senta. A menina grita com ela: anda logo! Ela olha para trás e não se intimida, escorrega quando se sente segura.

Lá embaixo espera a menina ruiva descer também. Sorri para ela e grita: vamos, vamos denovo! E sai correndo atrás da menina ruiva que nem um sorriso deu para ela. Deixa a menina subir na sua frente na escada. Lá de cima, a menina ruiva não grita mais que ela não pode subir.
...

Sentamos com os baldes e pazinhas num pedaço de sol na areia da pracinha. Vejo um menino olhando. Incentivo para que ela convide o menino para brincar. Ela faz a dança da aproximação, depois de alguns minutos convida. O menino não responde. A mãe dele reclama, diz que ele é um bicho do mato.

Ela volta para onde estou sentada e brinca mais um pouco. O menino segue olhando. Deve ser a minha presença, penso. Digo a ela que leve as pazinhas para perto do amiguinho, para brincar com ele. Ela vai, animada. O menino olha, mas continua mudo e quieto. Ele não quer brincar, ela me diz.

Olho para o menino e lembro de mim. Eu também precisava de tempo para me habituar aos lugares, às pessoas. Mas os adultos tem pressa. Ele vai brincar quando se sentir à vontade, filha.

Alguns minutos depois eles estão correndo e pulando. Jogam bola. As pazinhas ficaram esquecidas no canto. Não era a brincadeira certa.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uma vez que teve filhos, eles são sua maior responsabilidade!

Lia Miranda, mulher que admiro muito pela firmeza de suas convicções e com quem sempre aprendo. Hoje ela nos brindou com uma frase fantástica, na verdade um texto inteiro cheio de muita verdade, de muito sentimento e de muita coerência, mas quero deixar registrado aqui para a posteridade a frase que mais me marcou, porque é assim que eu sinto com toda minha alma:

"Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. O conflito entre nós e eles é um mito criado para vender brinquedos eletrônicos, papinhas industrializadas, DVDs, roupinhas caras e artigos de decoração. Nossos filhos são nossos parceiros, e jogar na lixeira essa oportunidade única de nos redescobrirmos é um enorme desperdício."

Um dia, questionada sobre um assunto, interpelada pela frase: mas e você? Não respondi, levei essa pergunta comigo e pensei, repensei, analisei, visitei o fundo da minha alma e devolvi para mim mesma: eu tive/tenho filhos, nada pode ser mais importante do que eles. Absolutamente nada. E não é. Simples assim. Abrangendo tudo isso vem a família, célula mater do desenvolvimento humano. Eu e o pai dos meus filhos somos parceiros, buscamos sim o equilíbrio, mas a prioridade nessa fase da vida são os filhos.

É uma decisão que me afasta de muitas pessoas, mas não me importo. Afasta dez, aproxima uma que de fato vai trazer força e cor ao meu dia a dia. Day, essa frase é para você, minha amiga.

O problema de afirmar pensamentos desse tipo é que as pessoas confundem com sacrifício, não aquele oferecido de coração aberto, na certeza de seu aproveitamento para o futuro, mas um sacrifício besta, que não leva a lugar algum, uma tonteria.

Aplaudimos e chamamos de herói aquele que se sacrifica por um estranho num momento de perigo, mas chamamos de tola, retrógrada, superprotetora, irresponsável (?), radical o pai e a mãe que colocam seus filhos acima de seus interesses pessoais. 

Desculpem-me. Eu penso assim. Eu penso.

Desculpem-me. Eu não sou uma fortaleza. Eu fraquejo. Eu tenho dúvidas. Mas eu tenho um norte. Na minha fraqueza eu preciso de apoio, de colo, de silêncio para me reerguer e recomeçar.

Depois disso, não preciso dizer mais nada, apenas: filhos queridos, é assim que eu os vejo nos melhores e, principalmente, nos piores momentos: vocês são um presente, um instrumento, um caminho, são escolhas e renúncias e nas nossas diferenças e semelhanças trilhamos uma vida mais cheia de cor.

Marido querido, meu norte, minha fortaleza, obrigada por me dar forças e apoiar minha maternagem, mesmo quando não concordas, mesmo quando não compreendes.




domingo, 23 de setembro de 2012

É dos carecas que elas gostam mais!


Pedro é carequinha, quase tão careca quanto quando nasceu. E isso exerce um fascínio...não há quem o veja que não diga: que lindo, tão carequinha! E passam a mão na cabecinha dele.

A mana adora! Está sempre passando a mão nos cabelinhos pixixinhos dele.

O pai, corintiano, começou a chamá-lo de Sheik, para desespero da mamãe aqui.

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