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terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Menino e o Balão

Imagem: O Balão Vermelho (1956)


Sou água, que corre

Sou vento, que estremece

Sou fogo, que agita

Sou terra, que anoitece.

Assim, devagarinho, eu vou me redescobrindo, vou me reencontrando e me reconhecendo. 

Onde estive este tempo todo?

As palavras vão ressurgindo e a mente vai percorrendo o céu de nuvens branquinhas que eu costumava imaginar e contemplar quando criança.

Eu, balão. Daquele que está cheio de gás hélio, sempre querendo alçar voos mais altos.

Lá embaixo, o menino, que ao mesmo tempo em que contempla minha subida destemida, segura a cordinha, e por vezes me puxa para perto de si, para que eu não me perca, para que eu não viaje solitária a contemplar estrelas e sóis universais. E para que ele possa ver um pouco do que seus olhos não conseguem alcançar.

A cada subida, eu busco a essência. Respiro o ar fresco da descoberta.

A cada descida, eu levo um pouco do que vi para o menino que me espera. 

Ele não pode ir comigo. Eu não sou balão longe do céu.

Ele contempla, um mundo que não vê, através dos meus olhos.

Eu esvazio um pouco, para que o ato de me segurar não lhe seja tão difícil.

Ele, pés no chão.

Eu, balão.


Para Daniel, 17/09/2013.




2 comentários:

  1. Uau!

    Um dos textos mais bonitos que já li!
    Muito sensível, tocante mesmo, amei!

    Beijo!

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