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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Santiago - ya, ya!

Viajar com crianças! Um desafio, sem dúvida! Requer muita vontade, alguma preparação, muito jogo de cintura, paciência e resignação. Mas depois de tudo ficam as lembranças, nossas e das crianças, os aprendizados, as experiências.

Em Santiago a Ísis aprendeu a andar de metrô - aquele trem que anda embaixo da terra - e descobriu o que era um táxi e para quê servia. Em Santiago ela aprendeu a dizer muchas gracias, que saía assim um muitas gácias, todo fofinho! Quando agradeci a ela, já no Brasil, desta maneira, ela me corrigiu: não mamãe, aqui não se fala assim, aqui é muito obrigada, só no Chile se fala assim!

Em Santiago meus dois filhos tomaram suco de chirimóia e comeram/tomaram o doce tradicional mote con huesillos (super recomendo, uma delícia!), lá no Cerro Santa Lucia. Adoraram o peixe rosa tradicional e delicioso do país.

Em Santiago a Ísis viu uma carruagem de verdade no Museu Histórico Nacional do Chile e ficou encantada, porque era igual à carruagem da Cinderela. Nesse mundo de princesas e rainhas ela se encantou com os trajes do baile à fantasia da capital nos anos 20. Quis sentar em todos os bancos e cadeiras antigos do museu, quis tocar o piano, quis colocar as pulseiras de prata dos índios Mapuche. Num enorme quadro a óleo ela identificou um bebê de colo e disse a uma chilena que aquele era igual ao seu irmão.

Em Santiago ela se encantou com todos os Moai possíveis e identificou que havia alguns com olhinhos e outros sem. Após a viagem, num desenho do Tuty/Puddle, onde um deles (nunca sei quem é quem) foi até a Ilha de Páscoa, ela gritou feliz: olha mamãe, os Moais iguais aos do Chile! Como não viajar com crianças?

Em Santiago ela aprendeu que existem muitos outros tipos de brinquedos nas praças públicas, que não apenas aquelas casinhas de madeira com escorregador e balanço, tão tradicionais por aqui. Por sinal, balanços não vi em nenhuma pracinha de lá, mas havia muitos diferentes e encantadores brinquedos que desafiavam a coordenação, o equilíbrio e até mesmo a coragem da criança! Adoramos!

Em Santiago, na Concha y Toro (super recomendo com crianças!) ela conheceu a lenda do Casillero del Diablo e durante muitos dias após a visita (e ainda hoje) ela e o pai brincaram de Casilleros, fiéis guardadores de vinhos. Lá ela descobriu o que era um tonel e constatou que tonéis só havia em vinícolas, não em nossas casas. Já em casa, num desenho, ela identificou tonéis de vinho (em desenhos antigos, como Dumbo, pois nos modernos jamais apareceria um, hehe) e disse: são tonéis, né mãe? Igual ao da vinícola! Como não levar uma criança num tour de vinho?

E em Santiago ela experimentou seu primeiro Pisco Sour! E da maneira mais legal: totalmente roubado sem que os pais percebessem...creio que pensou que era suco de limão azedo. Não deu barato, mas ela capotou no trajeto restaurante-apartamento...

E o que eu descobri em Santiago?

- que antes de qualquer viagem em família eu preciso malhar muito para aguentar o tranco;

- que a Cordilheira é sim magnífica, mas voar sobre ela me dava um siricotico, e eu só conseguia pensar no filme Vivos;

- que vinho é muito mais que uma bebida, é uma cultura; e que não existe vinho ruim, apenas mal servido ou mal harmonizado;

- que com a globalização todas as grandes cidades acabam sendo muito parecidas, o que é uma droga, e o que diferencia um lugar do outro é sua história e sua cultura local, esta última cada vez mais esparsa e engolida por artigos made in china;

- que cobre e lapislazule são símbolos do Chile e ficam lindos juntos;

- que houve uma ganhadora chilena do Prêmio Nobel de Literatura, em 1945, portanto anterior ao Neruda, mas não há o mesmo reconhecimento a sua figura ou aos seus escritos. O nome dela é Gabriela Mistral e há um museu em Santiago que leva o seu nome;

- que eu não gosto de empanadas chilenas, pois tem forte gosto de milho e coentro, mas sim das empanadas uruguaias e argentinas;

- que eu prefiro a comida chilena à comida uruguaia, pois é mais bem temperada;

- que eu amei mote con huesillos e que a torta tres leches me fez lembrar dos bolos da minha avó materna e do tempo em que a gente sempre comia suas tortas nos cafés da tarde das reuniões em família;

- que os chilenos são muito educados, mas ainda precisam ser um pouco mais prestativos - deve ser herança das grandes cidades.

- que os chilenos falam um espanhol muito rápido e usam o ya, ya para quase tudo;

- que papinha de peixe industrializada para o Pedro, nunca mais! Ô coisa mais fedida!

Para a programação da viagem considerei que seriam 7 noites seguidas e planejamos apenas uma atividade/local de visita por dia, com uma refeição fora de casa, sempre o almoço. Nem cogitamos sair para jantar com as crianças e fizemos certo, pois após os passeios estávamos todos cansados.

Ao invés de ficarmos num hotel tradicional, optamos por um apartamento no centro de Santiago, considerando que com crianças pequenas fazer todas as refeições fora de casa seria inviável, com isso, celebramos o tempo de férias e não tínhamos horário para dormir ou acordar, tomávamos nosso café da manhã com tranquilidade, brincávamos um pouco e após o sono do Pedro saíamos para passear, por volta das 10:30 da manhã. Voltávamos para casa no final do dia, mas sempre antes de escurecer.

Levei um carrinho pequeno para a Ísis, destes que fecham em guarda chuva, e um sling de argolas para o Pedro. Santiago é uma cidade muito boa para andar com os carrinhos e não tivemos problemas nos metrôs, nas calçadas, nos táxis. Tudo muito tranquilo.

Conseguimos ver quase tudo o que foi programado para Santiago. A exceção ficou por conta do Cerro San Cristóbal, que estava programado para o primeiro dia, mas devido ao cansaço das crianças (pois estávamos chegando de nossa estadia em Mendoza) acabou ficando para o último. Ao chegarmos lá nos deparamos com os funiculares em manutenção, ou seja, teríamos que subir tudo a pé. Eu e marido nos entreolhamos, demos meia volta e seguimos para o Patio Bellavista para encerrarmos nossa estadia adquirindo nossos regalos de viagem, sem remorços.

O maior perrengue da viagem aconteceu num dia de chuva, de forte inversão térmica que nos levou a temperaturas invernais em pleno dezembro, quando voltávamos de Viña del Mar. Tínhamos alugado um carro e ao chegarmos em Santiago tivemos - assim como todos os santiaguinos -  a ideia de irmos ao Parque Arauco, o que não estava previsto na nossa programação. Ficamos completamente parados num engarrafamento colossal no bairro Las Condes com duas crianças cansadas, entediadas e com fome, já imaginaram o estresse? Discute daqui e dali consegui convencer o marido a devolvermos o carro e seguirmos para o hotel de táxi. Depois dizem que são as mulheres que fazem de tudo por um shopping...

Incrivelmente, os melhores passeios em nossa estadia em Mendoza, Santiago e Viña del Mar foram as vinícolas! Recomendo muito a Concha y Toro e a Casas del Bosque, assim como seus restaurantes. Os dois restaurantes somados ao Mestizo foram os melhores de nossa viagem, mas o melhor custo/benefício foi o da Concha y Toro: comida excelente, porção satisfatória, preço honesto. E toda a pompa e circunstância de ter um sommelier atencioso (e que não te constrange) a sua disposição!

Optamos por não fazer nenhum passeio desses com empresas especializadas: os preços estavam absurdos, teríamos hora para ir e voltar e com crianças pequenas é um tiquito mais complicado ter um cronograma muito apertado. Usamos metrô na maioria das vezes, táxi e ônibus municipal. Só para ter uma ideia, para visitarmos a Concha y Toro chegamos facilmente usando metrô e táxi, pagamos nosso tour e almoçamos super bem (2 adultos, 2 crianças, com sucos, águas, vinhos e sobremesa deliciosa acompanhada de uma maravilhosa cocecha tardia) por menos que um simples tour pela vinícola (sem almoço) organizado por uma empresa especializada. O mesmo para a Casas del Bosque. O passeio estava saindo R$ 200,00 por pessoa, ou seja, seriam R$ 400,00 o casal! Chegamos lá, almoçamos e pagamos R$ 200,00 com direito a uma garrafa de vinho e chocolate de regalo.

A exceção foi nossa esticada até Viña del Mar e Valparaíso por uma noite, quando alugamos um carro, mas ao final, nos arrependemos de ter feito isso. Falo mais no outro post.

E como foram nossos dias por lá?

DIA 1: Cerro Santa Lucia, Barrio Lastarria (jantamos ali, num daqueles infindáveis botequinhos com mesas e cadeiras nas calçadas), Basílica La Merced

Basílica La Merced

Cerro Santa Lucia: foi difícil tirá-los dali para continuarmos o passeio

Mirante Cerro Santa Lucia: Cordilheira ao fundo

DIA 2: Descanso no apartamento, compras no mercado, papai e Ísis deram uma voltinha na Plaza de Armas

Passeio com papai na Plaza de Armas

DIA 3: Visita à Concha y Toro. Almoçamos por lá. Retorno, descanso no apartamento. Passeio pelo centro: Igreja San Francisco, Barrio Paris-Londres, Universidade, Teatro Municipal, La Moneda

Concha y Toro

Concha y Toro: juro que ele não bebeu!

Teatro Municipal: lá está ela na fonte!




DIA 4: Parque Bicentenário. Almoço no Mestizo. Não conhecemos todo o parque, porque ele é enorme, mas conhecemos bem os arredores do restaurante, cheio de lagos, parquinhos para as crianças, cadeiras e guarda sóis nos gramados. Como o parque é novo ainda há poucas árvores frondosas e quase não tem sombra.


DIA 5: Valparaíso     DIA 6: Viña del Mar
Falo sobre esses dois dias depois

DIA 7: Plaza de Armas, Museu Nacional. Almoço no Mercado Central. Tentativa de irmos ao Cerro San Cristóbal, mas desistimos porque os funiculares estavam em manutenção. Patio Bellavista: descanso e compras.


 Plaza de Armas


 Mercado Central: as crianças (cof, cof) amaram a Cazuela de Vacuno, gosto de sopinha de avó!

Patio Bellavista: ela molhou pés e pernas naquela fonte ali atrás...

DIA 8: Retorno

Se alguém quiser alguma informação mais específica sobre o roteiro, ou dicas, ou qualquer outra coisa, é só mandar email: ninescheffer@hotmail.com.

Semana que vem tem Valparaíso, a visita mais frustrante da viagem, e Viña del Mar, uma delícia de balneário quando não chove, não venta e não faz temperatura invernal em pleno dezembro!

Perrengues de viagem? Ya, ya!

:)






quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mendoza: um deserto onde eu quero estar, rodeada de bons Malbec e azeitonas argentinas!

Calma, não sou nenhuma fanática, não! E nem gostava muito dessa uva, mas me rendi ao seu sabor tomando um maravilhoso Malbec da Terrazas de los Andes acompanhado de verdejantes, suculentas e gordas azeitonas argentinas.

Mendoza foi nosso primeiro destino nas férias e decidimos chegar até lá de avião, a partir de Santiago, para evitar 8 horas de viagem de ônibus com duas crianças. O voo é tenso para quem, como eu, ainda acha que é muito antinatural estar voando! Para mim foi horrível sobrevoar os Andes, passar pelas turbulências e ouvir a cada minuto a comissaria de bordo avisar que não poderíamos desatar o cintos, levantar e tals. Medo total! Para compensar, é lindo! :)

Não planejamos muito o que fazer por lá, porque achávamos que a cidade era pequena e que os pontos  a serem visitados era todos próximos, só que não. Dei uma olhada nos pontos turísticos da cidade, que esperava vencer em dois dias; e reservamos um dia para passeio pelas vinícolas e um dia para passear num parque de água termal de lá. Só que eu não contava com o clima árido, que acabou deixando a Ísis muito indisposta para passeios durante o dia.

O clima de Mendoza é um desafio a parte, lembra muito o clima de Brasília, com seu ar pesado, seco. Eu e marido até que gostamos, mas as crianças sentiram bastante. A Ísis ficou muito mal humorada e sem vontade de fazer nada, mal caminhava durante o dia só curtindo mesmo passear a noite e o dia em que fomos para o parque de águas termais.

Uma dica: em Mendoza, no verão, faça como os mendozinos: tire uma siesta das 13:00 às 17:00 horas e fique abrigado do sol, tomando muito líquido (que pode ser um bom vinho da região), comendo sorvete e alfajor gelado! Não caia na besteira de fazer como nós que queríamos conhecer os parques e plazas nesses horários. A gente não percebe porque não sua, mas o calor é forte!

Mendoza foi uma grata surpresa, confesso que trocaria fácil dois dias de Santiago por mais dois dias em Mendoza, mas passamos um total de quatro dias por lá e dividimos nosso tempo assim:

DIA 1: visitamos as Plazas: San Martin, Independência, Peatonal Sarmiento; reservamos nosso passeio para as Termas Cacheuta e nosso tour por vinícolas e olivícolas locais. Como o comércio fecha das 13:00 às 17:00 horas ainda conseguimos dar uma voltinha a noite pelas largas calçadas do centro.

Plaza San Martin


Plaza Independencia

Plaza Independencia: ela sempre correndo em direção à água

Plaza Independencia: ensinando o mano a "curtir a paisagem"




Peatonal Sarmiento: parada para um refresco


DIA 2: visitamos o Parque General San Martin, ou melhor, parte dele, pois é enorme! Fomos até o topo do Cerro da Gloria, onde avistamos o lindo monumento em homenagem ao Exército dos Andes, descemos e paramos no lago do Rosedal, pois o calor era sufocante, o ar estava muito seco e só perto da água foi que nos sentimos melhores. Uma dica aqui é que o parque fica longe do centro e para chegar ao topo você vai precisar de muita disposição, pois é uma subida longa. Com crianças, sugiro que faça como nós: pegue um táxi e combine com o motorista para que ele aguarde no topo de 5 a 10 minutos, tempo suficiente para dar uma olhada no monumento e na paisagem, para depois descerem com o taxista. Tentamos almoçar num restaurante, mas a Ísis não se sentiu bem e voltamos para o hotel. Depois de um descanso no hotel visitamos a Plaza España. À noite caminhamos pelo centro, tomamos muito sorvete e compramos nossos regalos de viagem.

Parque General San Martin: Cerro da Gloria e Monumento ao Exército dos Andes

Parque General San Martin: Lago do Rosedal, um oásis em meio ao deserto!

Parque General San Martin

DIA 3: Tour pelas vinícolas e olivícolas da região. Optamos pelo tour de meio dia, pois ficamos receosos de um de dia inteiro com as crianças, então não incluía almoço, apenas degustação de vinhos e azeites. Eu não consegui visitar as vinícolas que gostaria, pois os passeios são divididos por dia da semana e naquele dia não havia reservas para as que eu queria nas duas empresas que consultamos. Poderíamos fazer o passeio privado, mas era muito caro e em dois deles as crianças não eram permitidas neste tipo de passeio (privado com harmonização de vinhos e almoço). Nos passeios comuns, o Pedro não pagou, mas a Ísis pagou meio tour. Pagamos R$ 100,00 por este passeio (2 vinícolas com degustação, 1 olivícola com degustação, 2 adultos, 1 criança).

Plaza España

Plaza España

Plaza España: e desde então eu penso e digo "já dizia o Martins Fierro: os irmãos tem que ser unidos!"

Sede do Governo de Mendoza, chafariz e anjo







DIA 4: Termas Cacheuta! Super recomendo! Quer fazer uma farofa com estilo na sua viagem? Vá a esse parque de águas termais encravado na cordilheira. É lindo, é barato e o parque possui serviço de transporte que te pega e te deixa no hotel. Se você for com criança então, é o programa perfeito!




Minhas impressões da cidade é que é uma cidade muito turística, onde fomos sempre muito bem atendidos, onde há ótimos restaurantes (que não fomos) e bares noturnos (que não frequentamos). Há inúmeros passeios para se fazer por lagos e trilhas em meio à Cordilheira, cavalgadas, vilarejos para visitar. Há inúmeras vinícolas, uma ao lado da outra, uma mais linda que a outra e boa parte delas é classificada como bodegas boutique, ou seja, seus vinhos são para venda local ou para exportação, não se encontra no mercado local.

Enfim, apesar do que li blogs a fora, achei que quatro dias na cidade não foram suficientes e saímos de lá com gostinho de quero mais! Não conseguimos visitar algumas plazas, nem o aquário e o zoo, muito menos a Calle Aristides e a Peatonal Alameda. Restaurantes legais ficarão para uma próxima vez, mas recomendo as empanadas do Mercado Central! :)

Eu adorei conhecer uma fábrica de azeite de oliva e adorei comer as empanadas argentinas no Mercado Central da cidade. O passeio pelas termas foi o ponto alto da viagem, além das caminhadas pelas ruas lindas e largas da cidade.

Claro que houve momentos perrengues...que viagem em família não tem? Dois deles envolveram a Ísis, tadinha, que não ficou bem naquele clima árido e fez o maior chororô num restaurante e no início de nosso tour pelas vinícolas. O ponto alto para ela foi o passeio pela Termas Cacheuta, sem dúvida! E passear a noite, quando o clima estava mais amigável, mesmo depois das lojas fecharem ela não queria ir embora, queria continuar passeando!

Semana que vem teremos Santiago, yaya!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

E o mundo...

...não acabou, eu sei!

Mas por aqui, neste humilde bloguito, as atividades estão encerradas em 2012.

Em janeiro teremos apenas postagens semanais sobre Santiago, Viña del Mar/Valparaíso, Mendoza e Colonia del Sacramento. Momento férias total.

Não sou muito de fazer resoluções de final de ano, mas eu curto muito esse momento virada. Para mim, dia 31/12 é um marco, o final de um ciclo e o começo de outro.

2013 vem chegando...com ele meus 34 anos, meus filhos crescendo, em fevereiro Pedro completa seu primeiro ano em pleno carnaval, em março nos mudamos da fronteira para a nossa querida Santa Catarina, em abril meu eterno bicho faz 4 anos.

O que eu espero de 2013 é me reencontrar.

Quero andar mais, quero consumir menos, quero continuar minha horta mesmo num apartamento, quero que minhas horas no trabalho sejam produtivas e que eu consiga reencontrar algo dentro da minha profissão que me devolva o tesão pelo trabalho. Desde que vim para a fronteira ele se foi...

Ah, também quero fazer pães e biscoitos caseiros, já que em 2012 eu fiquei expert em bolos.

Quero estudar e quero desenvolver algo.

E eu quero um algo mais, ainda não sei bem o que é, mas tem algo aqui dentro que está insatisfeito. Creio que tem a ver com o meu trabalho atual, do qual não gosto, espero poder mudar com a mudança de cidade que se aproxima.

Quero abrir mão da empregada, que tenho aqui, mas não quero ter na nova cidade. Quero que minha filha não volte para a escola, mas ela quer ir, então vou levá-la. Quero encontrar uma boa escola.

Quero encontrar uma boa babá na minha nova cidade, que tenha disposição para brincar.

Quero mudar o blog. O tempo passa, os objetivos mudam.

Quero voltar a usar brincos.

Quero continuar a amamentação

Não quero mais filhos.

Não quero mais potes de plástico na minha cozinha.

Não quero mais consumir margarina, maionese industrializada, refrigerante, suco de caixinha, vegetais enlatados.

Não quero mais sair de casa sem filtro solar, rímel e batom.

Eu quero dizer mais eu te amo, eu te entendo, eu posso te ajudar.

E quero dizer menos estou cansada, ai que dor nas costas, jizuis me salva!

Quero ver a família com mais frequência, quero reencontrar amigas queridas.

Para todos que passaram por aqui este ano, deixo meu agradecimento, àqueles que se manifestaram por escrito, deixo meu carinho.

Ano que vem já vem vindo!

Até lá!

Imagem: arquivo pessoal





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Férias e maratona em família!




Apenas para não sumir assim, sem deixar notícias, aviso que sairemos de férias por duas semanas. Estamos animados (e já cansados de antemão) porque vamos fazer nossa primeira grande viagem em quarteto.

Iremos a Santiago, Viña del Mar e Valparaíso, com uma passada em Mendoza seguindo as dicas do Viaje na Viagem de curtir Chile e Argentina em zigue zague.

Aproveitei cada dica das famílias viajeiras para Santiago, especialmente as dos blogs Chile para Crianças, Mãe de Duas e Destemperadinhos, mas confesso que pouco encontrei sobre Mendoza com crianças, então nosso roteiro é meio "exclusivo".

A Ísis está ansiosa e animada e já entende que o Chile e a Argentina são outros países - "onde não é o Brasil, né mamãe?".

Voltamos antes do Natal!

Inté!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Game dos Bebês: mais uma besteira no ar!

"Marcelo contou por que existe tanta resistência por parte das mamães em relação a deixar de amamentar. “A sensação é de entregar o filho ao mundo, de assumir que ele está crescendo e de saber que não é mais um corpo só, são dois corpos”, observou ele. “A amamentação, em alguns casos, não é mais para alimentar os filhos, é mais o ritual de colocar no colo para dormir. Eu acho que me sinto à vontade de dizer para desmamar quando o ato não tem a função principal, que é a alimentação. Outro caso também é quando a criança começa a precisar a tomar o leite”, explicou."

Eu ainda não havia visto esse programa, porque trabalho pela manhã, mas ontem estava no mercado da cidade, onde uma televisão estava ligada no Programa Mais Você, e fiquei estarrecida com o tal Game dos Bebês. Bizarrice pouca é bobagem!

Eu não entendi muito bem o que um pedagogo tem a ver com amamentação, pesquisando não achei nada que o abonasse para falar sobre o tema, mas dando uma googada por aí fica fácil descobrir que este homem é figurinha fácil em revistas, blogs e programas de televisão.

Quem assiste ao programa percebe que aqueles bebês tem idades inferiores aos 2 anos. O que diz a OMS? Amamentar até 2 anos OU MAIS. Claro que o pedagogo não se ateve a essa informação. Na pauta do programa havia a necessidade de falar sobre desmame (interesse de um patrocinador de fórmulas? Será?) e não se levou em consideração que todas as crianças ali presentes ainda estavam em idade para serem amamentadas.

Outra coisa que a mídia adora é colocar as mães como pessoas infantis, dependentes da relação com o filho e incapazes de promover o desmame natural, porque precisam daquele ritual. Daí falam nisso e focalizam aquela pobre mãe chorando porque, claro, ela não quer (e nem deve) desmamar a filha. Mais uma vez as mulheres são focalizadas como seres incapazes de agir, elas precisam de alguém - um homem, educador, que não sabe e nunca saberá o que é amamentação - para ensinar-lhes o que a natureza já nos ensinou em séculos e séculos de existência! Mães não precisam de orientação sobre como desmamar seus filhos. Mães precisam de apoio para amamentá-los. Mães precisam ser respeitadas e deixadas em paz com o conhecimento, o instinto, amor e o leite que lhes é natural.

Claro que a mãe de um bebê vai ser resistente em desmamar seu filho. É quase que instintivo. Você e todo seu DNA sabem que aquela criança ainda precisa de leite. Do seu leite. 

Qualquer pesquisa sobre mães que desmamam naturalmente, respeitando o tempo de seus filhos nos faz ver como se despedir deste "ritual", como disse o pedagogo, com saudade sim, afinal, quem não sente saudades do tempo em que os filhos ficavam apenas no colo, ou das engatinhadas pela casa ou das palavrinhas erradas? Apesar da saudade, isso não nos impede de incentivá-los  a sair do colo, a andar, a falar corretamente. Incentivar o desmame pode ser necessário, mas não com menos de 2 anos de idade e ainda mais quando claramente esse é o desejo da mãe e do bebê. Desmamar quando for o tempo para o desmame e não para enriquecer marcas já multimilionárias.

Toda criança desmama quando for o momento! Assim como toda criança desfralda, anda, fala, escreve! Tudo a seu tempo! Ah...mas claro  que ninguém quer ver uma criança de 3 anos sendo amamentada, não é? Coisa mais feia, tsc...tsc... Até a Ana Maria Braga não conseguiu conter a expressão de desagrado com essa cena. Por quê? Porque amamentar é algo que nos atordoa tanto? Porque a criança suga o seio? Resolvam seus problemas sexuais no analista mas não coloquem suas frustrações nas pobres crianças e suas mães, que podiam estar posando nuas, podiam estar fazendo toples numa praia do Rio, podiam estar sambando na Sapucaí com os seis desnudos ou aparecendo em programas de gosto duvidoso na TV com os seios sempre à mostra. Só que não: elas estão AMAMENTANDO!

E essa pressa em lançar os filhos no mundo? Como ficamos nós pais que somos bombardeados com informação de que precisamos estar mais presentes, estarmos atentos, darmos atenção aos nossos filhos, e de outro recebemos o dedo indicador de pessoas que sequer são especializadas em amamentação para que liberemos nossos filhos para o mundo (e para as marcas anunciantes!)?

A última frase não poderia ser mais ridícula : "...quando a criança começa a precisar tomar o leite.". De que leite estamos falando? Do leite da vaca? Daquele que é base para as latas dos anunciantes? Por que nossos filhos não precisam mais do leite humano que sai gratuito de nossos seios e precisam do leite que sai gratuito das tetas da vaca para seus bezerros e que passa por processamentos mil para ficarem "maternizados"?

Outro disparate: no cardápio das crianças aparece assim:
- Desjejum e ceia: preparações lácteas específicas.
Preparações lácteas específicas? Por que não aleitamento materno também se há crianças ali que ainda mamam? E preparação láctea na ceia? Por que pode dar mamadeira antes de dormir mas não pode amamentar?

Vocês conseguem perceber o desserviço que este tipo de programa e este tipo de orientação dada por um pseudo educador faz?

E, claro, a Ana Maria Braga teve que falar da culpa. Não, não sintamos culpa. Lutemos por mais dignidade e respeito para nós e para nossos filhos.

Ou afoguemos nossas mágoas numa lata de leite em pó maternizado.

...

Outros textos, outras visões, a mesma indignação:

Anne Super Duper
Mamíferas
Infância Livre de Consumismo
Pérolas de Alanis




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