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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O medo do quartinho

A família decide pelo segundo filho e enquanto ele, o segundo, o BB sem nome e até o momento sem sexo, cresce tranquilo e feliz, a mãe dele e da primogênita, que atende pelo nome de Ísis, começa a ter problemas com desapego.

Eu, a mãe, fico horas na internet procurando idéias para o quartinho-menina da primogênita, já que o caçula vai herdar tudo dela. Escolho móveis, jogos de lençol, manta térmica, cobertores, edredons, travesseiros de gente grande (snif, snif), almofadas descoladas sobre a cama, cama auxiliar para o futuro namorado as futuras amiguinhas poderem vir dormir aqui em casa, fotografias, quadrinhos, cortinas e cabanas. Fica tudo lindo, maravilhoso e a pequena adora o novo quartinho, que agora tem 3 camas, duas delas totalmente acessíveis. E a terceira, lá no alto, acessível somente por uma escada.

Mas...depois da mudança decidimos que ela vai dormir conosco porque o cheiro da tinta tá demais no quarto dela, depois ela tem (mais uma vez) uma crise de bronquite e eu fico com dó de deixá-la láááá do outro lado do corredor, naquela cama enorme. E se eu não ouvir (hã?) ela me chamar à noite? Mais uns dias de cama compartilhada! Nunca compartilhamos tanto desde que ela nasceu.

Marido dá o ultimato hoje pela manhã: o quartinho dela tá pronto, tá lindo, ainda sem cortinas e cabana, é verdade, mas tá lindo, novinho, cheiroso, com lençóis 200 fios e tudo o mais. Mas eu fico com o coração na mão de colocá-la lá hoje à noite.

Por quê? Não tive nenhum problema em colocá-la no quartinho dela com 21 dias de vida!

Aí, na minha auto análise (prá quê pagar honorários se você tem o gene da psicologia, né?) eu percebo que estou apegada...

Dar adeus ao bercinho amado, ao colchão forrado de um lado com plásticos que recebeu uma queimadura logo na primeira semana de uso e perdeu totalmente sua função anti vazamento xixizístico e que por isso mesmo teve que ir ao sol escasso de Joinville tantas e tantas vezes;

Dar adeus aos mini lençóis de algodão e malha tão carinhosamente escolhidos para ela;

Dar adeus aos travesseirinhos e almofadas que a envolveram todas as noites e a protegeram da cama enorme;

Dar adeus aos protetores de berço, esses lindos com quem tive uma relação de amor e ódio (amor na fofurice, ódio na bronquite) e com quem a Ísis aprendeu a falar peixinho, tartaruga, baleia, cavalo marinho, caranguejo, mergulhadora, dando bons dias e distribuindo beijinhos a eles todos os dias pela manhã;

Dar adeus à poltrona de amamentação amada, idolatrada salve salve, companheira de madrugadas intermináveis e maravilhosas de amamentação e desejos de mais horas de sono...

Enfim, dar adeus a toda uma fase épica de nossas vidas, ainda que seja para recomeçarmos tudo novamente com o filhote mais novo e iniciarmos toda uma nova fase de gostosuras e travessuras com ela, a minha sempre pequena Ísis...dói!

Mas eu preciso dar adeus, guardar as boas lembranças do lado esquerdo do peito, respirar fundo e partir, para uma nova fase, um mundo novo, uma família nova, mesmo sendo a mesma!

Me abraça? :(

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A alienada

Final de semana, festinha de aniversário de 1 aninho do filhote de uma amiga. Encontros, reencontros, a famosa roda dos papais falando sobre futebol, política, economia, mulher alheia, cerveja, pelada (futebolística ou não) e a famosa roda das mamães com os filhotes sob as asas falando de suas peripécias, coco, xixi, melecas e...escolinha.

No aniversário havia muitas crianças na faixa etária da Ísis e apenas eu e outra mãe que optamos por não colocar nossos respectivos rebentos numa escolinha/creche/berçário. Todas as 485965234 crianças entre 1,5 e 3 anos estavam na escolinha.

Eu gosto muito desses encontros, sério mesmo. Não perco uma oportunidade de observar e comparar (ainda que mentalmente) a genialidade da minha filha (cof, cof) com a genialidade alheia. E posso dizer? Morro de orgulho, há!

Daí que lá pelas tantas, todas as outras mães observando aquele serzinho acima da média (cof, cof) me largam a pergunta: "ela está em qual escolinha?"

Não, minhas caras, ela não está em escolinha nenhuma há exatamente 1 ano e 1 mês.

"Nãããooo? Ah, mas por quê? Ano que vem você vai matricular, né?"

NÃO.

"Mas escolinha é tão bom, as crianças aprendem a socializar (aham, tá bom que fedelhos dessa idade aprendem a socializar, me engana que eu gosto, eu penso, mas não digo), elas são estimuladas na sua psicomotricidade (você sabe o que é isso?), elas aprendem a dividir..."

Daí nessa frase do "elas aprendem a dividir" eu, que não sou santa, nem elevada moral e espiritualmente não me aguento e largo um "Fala sério, né? É só olhar essa rodinha de bebês e pequenos infantes que dá para notar que a escolinha não ensina ninguém a dividir." Olhares me fuzilando, saio estratégicamente pela esquerda arrastando meu barrigão...bexiga de grávida, sabe comé?

Eu passei praticamente toda a festinha justificando o por quê de não colocar a Ísis numa escolinha, fazendo-me de surda (não com muito sucesso) para frases dos tipos acima.

Já escrevi dois textos sobre o assunto: aqui e aqui. Eu não fico reprovando mães que colocam os filhos desde cedo nas creches, cada família tem uma dinâmica, uma necessidade e suas crenças. Se você acredita que seu filhote vai estar melhor numa escolinha, que assim seja! Ou se você não tem outra opção viável, que assim seja também. Ninguém é melhor ou pior por estar ou não numa escolinha. A Ísis esteve numa dessas por 9 terríveis meses em turno integral...

Mas nós (eu e marido) não acreditamos nisso e não tem discurso sobre psicomotricidade, pedagogia Waldorf/Montessori que me faça mudar de idéia. Até porque eu vejo a desenvoltura da Ísis e vejo a das outras crianças que vão para a escolinha e ela não está "atrasada" em relação à ninguém. Ela fala com desenvoltura própria para a idade, se locomove bem, pula, corre, sobe sobre móveis, salta obstáculos, canta musiquinhas com coreografias, pinta, recorta, molda, encaixa, desencaixa, "lê" livrinhos, etc...etc... e convive com outras crianças também , afinal ela não vive trancada dentro de casa: vai ao parquinho, à praça, brinca com os filhos dos vizinhos, dos colegas de trabalho...sociabilidade e psicomotricidade garantidas! Ainda que sem um projeto pedagógico!

Agora aprender a dividir na escolinha...ah, isso não! É da idade não querer dividir nada nessa fase, teoria comprovada neste aniversário onde crianças de 0 a 5 anos brincavam e disputavam brinquedos alucinadamente num festival de não, é minha; não, é meu, enquanto mães apaziguadoras, estivessem seus filhos na escolinha ou não, repetiam "tem que dividir com o amiguinho, agora é a vez dele, depois você brinca."

Minha idéia é: crianças pequenas ficam em casa, na segurança do seu lar, no conforto de suas caminhas, com suas comidinhas de casa, seus passeios ao sol, seus colos exclusivos (ao menos até nascer o segundo), suas estimulações naturais, seu convívio periódico com outras crianças.

Já tive a experiência da escolinha, não é para mim, não adianta tentarem me convencer do contrário, pois não há teoria da psicomotricidade e sociabilidade que resista a uma rodinha de bebês/crianças fazendo exatamente as mesmas coisas.




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O limite da fúria

Eu respiro fundo enquanto observo aquele bumbum branco, gorducho e sacolejante, mais parecendo os ponteiros de um relógio cuco: direita-esquerda, direita-esquerda. Ouço os gritinhos, as risadas e a musiquinha sacanamente cantada no ritmo do tic tac: LÁ-LÁ, LÁ-LÁ.

Ela tá de sacanagem, né? Alguém por favor me diga que eu não estou vendo aquele ser minúsculo me provocando sarcasticamente enquanto eu tento colocar as fraldas.

Ela mal sabe o que me passa pela cabeça! Se soubesse não ficaria rindo da minha cara desse jeito, mas sim deitava bem quietinha, comportada e com a bunda pregada na cama para eu poder colocar as fraldas! Ah, se ela soubesse quantas boas palmadas ela já levou nas minhas alucinações, quantos beliscões e puxões de orelha! Ah! Se ela soubesse...não ficava me provocando dessa forma ardilosa e irônica, batendo pernas como se fosse um bebê polvo, pulando de um lado para o outro e esfregando a bunda cheia de pomada em cada canto da cama, como se fosse uma pulga e na maior das sacanagens cantando essa musiquinha irritante quando eu seguro firmemente suas pernas, arqueando a bunda lambuzada de pomada e cabelo e farelos de biscoito de um lado para o outro!

Essa é a cena do caos!

Depois de satisfazer meus mais primitivos anseios, ainda que mentalmente, de esquentar aquele rabinho branco eu parto para o ataque: jiu jitzo fraldal! Em minutos estamos as duas enroscadas, ela tentando se desvencilhar de minhas mãos e braços e eu tentando mantê-la parada para finalmente conseguir fechar aquele maldito velcro!

Após a luta estamos ambas arfando. Ela com aquela cara safada que Deus (ou será que foi o pai dela?) lhe deu e sorrisão de orelha a orelha. E eu só mentalizando: muito bem, Janine, você conseguiu! Venceu mais uma e sem apelar para golpes baixos, torturas, amarrações e mordaças!

Respiro fundo, desanuvio a expressão e a pego no colo cheia de amor para dar. Ainda bem que, ao que parece, ela não lê pensamentos...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ligeirinha


Ainda faltam uns 10 anos para a adolescência começar a dar as caras por aqui, mas as respostas na ponta da língua já começaram a dar o ar da graça... 

Ísis detesta meia nos pés, mesmo num inverno polar com temperaturas abaixo dos 5 graus. Ela arranca meias assim que eu as coloco e chora desesperadamente se eu a obrigo a vestí-las.

Teve uma noite que resolvi ser mais linha dura e a bichinha chorou por mais de 1 hora, até finalmente arrancar as meias com um suspiro de alívio! Depois desse dia, e depois de ter me xingado mentalmente de tirana, autoritária, má, fizemos um acordo: pode tirar as meias quando está sobre algo: sofá, cama, cadeira, almofada; mas não pode ficar com os pés descalços no chão. Se for descer de onde está tem que colocar as meias, tênis, pantufa, fim de papo!

Desde esse dia o acordo tem funcionado muito bem: é um tal de tira e põe as meias o dia todo, que cansa...mas trato é trato e não posso voltar atrás no combinado.

Tal combinado tem rendido algumas cenas hilárias, como a vez que ela calçou os sapatos do pai ao contrário para poder pegar um brinquedo no chão e outra que ela "calçou" os próprios tênis de uma maneira singular e ficou ali se equilibrando neles para não descumprir com o nosso acordo.

Dois dias atrás ela estava sobre o sofá, sem as meias, e quis ir para o chão pegar uns brinquedos. Ao invés de pedir pelas meias ou pela pantufa/tênis, ela empurrou o edredon que estava sobre o sofá para o chão e começou a descer. Quando eu disse Ísis, não pode descer sem meias; ela prontamente me respondeu com a cara mais safada do planeta:

- Eu tô no cobertouro (cobertor)!

Fiquei sem resposta. De fato, ela estava sobre "algo".

...

Outra coisa que não gostamos é que ela fique com objetos na boca, pois pode escorregar e engulí-los ou machucar seriamente a boca. Sempre que a vimos com algo como lápis, bolas, bastões, colheres avisamos para que ela tire da boca, pois pode machucar.

Ontem ela estava brincando com um lápis de escrever na mão e disfarçadamente colocou na boca. Eu, que desde que virei mãe tenho olho nas costas, já chamei a atenção: não pode! E ela, que é ligeira, respondeu prontamente:

- Mas eu tô tocando flauta!

E passou a "dedilhar" sobre o lápis.

2x0 pra ela!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Lógica Isística


Se para ela vassoura é bassôra, nada mais lógico que varrer ser charmosamente denominado de imbassorá!
:)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um pouquinho dela


Ô fase mais gostosa essa! Passo longos minutos te ouvindo brincar conversar com seus brinquedos. Você é muito carinhosa, filha, até de uma garrafa de refrigerante um dia desses você cuidou como se fosse o mais frágil dos bebês: ninou, fez carinho, trocou a fraldinha, enrolou na mantinha para que ela ficasse bem "quentinha e potegida". Fofa demais!

...

Sobre o bebê na barriga e o irmãozinho ou irmãzinha que já se anuncia ainda estamos devagar. Você já sabe que tem um bebê na minha barriga e na última consulta você viu um ultrassom (e dia desses disse que a mamãe estava com um barrigão!) . Creio que não entendeu muita coisa, mas atualmente temos aproveitado para reforçar a idéia de irmandade para você sempre falando que algo ou alguém é irmãozinho de outro. Você ouve, dá uma risadinha, e só.

...

Já percebemos que você herdou a veia debochada do seu avô e do seu pai. Um dia desses estávamos eu, seu pai e a V. no nosso quarto, todos sentados ouvindo você brincar, quando do nada você diz:
- Coco. Já vai sair o coco.
Nós ficamos frações de segundo olhando e você quando se viu cercada de olhares começou a cantar, com a carinha mais safada do planeta:
- Aaaaalequim, lequim dorado cmsngfkjuroed...
A gargalhada foi geral! 

...

E você também desdenha da gente na cara dura, principalmente quando está fazendo algo com alguém e não quer ser interrompida ou mudar a brincadeira. Se você está comigo e seu pai chega, você prontamente dispara:
- Num qué o papai!
E faz o gesto com a mão para afastá-lo.
Eu já levei dois "num qué a mamãe", doeu, viu? Mas quem mais leva é a L. Um dia desses você falou a temida frase para ela, ao que ela respondeu que tudo bem, mas que era ela quem cuidava de você quando a V. não está, que ela faz o seu papazinho, faz tetinho, brinca com você e que ela te amava muito. Ao que pareceu você pensou um pouco e disparou:
- Qué a L!
Esnobenta sim, boba não!

...

Quando chegamos em casa e você nos vê dispara logo um "a mamãe chigou!" e vem correndo para perto de mim, para segundos depois sair correndo, pulando e falando feito uma matraquinha, provavelmente querendo me contar as novidades!

...

Você está muito carinhosa e nos inunda com tantos beijos, abraços e massagens! Adoro!

...

E você começou a "ler" os seus livrinhos. Olha as figuras e vai narrando o que vê entre uma frase e outra que você lembra do que contamos para você, é muito engraçadinho!

...

Das palavras preferidas da vez continua o memelo (vermelho), cururido (colorido), iaiaaaate (chocolate, que você até sabe falar corretamente, mas aqui em casa já institucionalizamos o uso dessa palavra), potegido (protegido), galfo (garfo), colerinha (colherinha), açúcara (açúcar), gute (iogurte), corbra (cobra).

...

Você já conta os objetos: vai pegando de um lado e colocando no outro e numerando: um, duis, tês, cato, cinco, seis, sete, oto, novi, deeez! E está se aventurando nos números de 11 a 20.
Você já reconhece algumas letras em meio a palavras, principalmente a letra do seu nome. Quando identifica um "I" diz:
- Olha, um I de Ísis!

...

Adora brincar de cabaninha, que agora pode ser até debaixo do ededon. E adora que o papai faça o "show da Panterinha" na cabana. O show consiste de uma pantera cor de rosa de pelúcia e um papai cantando a música tema do bichano.
Um dia desses, no consultório médico, você estava inquieta e eu pedi que você sentasse no tapete e brincasse um pouco com a Panterinha, ao que você mesma começou o show, com sua vozinha fofa. Não houve quem não se derretesse por você naquela sala!



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Saudades e brincadeiras

Uma noite dessas eu acordei por volta das 04:00h e não consegui mais dormir. Motivo: eu estava com saudades suas. Parece brincadeira, mas a verdade é que já não passamos mais tanto tempo juntas como antes e todos os meus mal estares desse início de gravidez fazem com que eu desmaie de tanto cansaço antes das 20:00h: eu não brinco mais com você, eu não leio mais historinhas antes de dormir, eu não te levo para o bercinho. Essas, agora, são atividades exclusivas do papai.

E essa saudade me apertou de tal jeito que eu me levantei e fui até seu quarto para te ver dormir. Eu adoro te ver dormir, pois me faz lembrar dos seus primeiros dias de vida, principalmente a primeira noite no hospital, quando eu simplesmente não consegui colocar você no bercinho ao lado da minha cama. Parecia que aquele lugar era frio e inóspito demais e eu me reclinei na cama e adormeci com você nos meus braços. Antes de adormecer completamente eu me lembro de ficar te admirando: os olhinhos puxados herdados do seu pai, o nariz batatinha mais lindo que eu já vi, as bochechas fofas e rosadas e a boca, tão formadinha, parecia um coração. E sempre que você adormece você volta a parecer aquele bebê recém nascido.

Eu aguentei uns 5 minutos ao lado do seu berço antes de ter que sair correndo dele, completamente enjoada. Ao me deitar, eu chorei filha. É que eu sou noltálgica, fazer o quê. Aos poucos vai me caindo a ficha de que nossas vidas, como vividas nesses últimos dois anos, não será mais a mesma. Vamos mudar ao receber outro membro de nossa família. E eu tenho que te confessar que sou péssima com mudanças, pois apesar de desejá-las, elas sempre me deixam saudosa do tempo que foi, ainda mais quando esse tempo foi tão bom!

...

Nós (eu e seu pai) não somos muito de pedir as coisas falando "por favor". Não sei, acho que a intimidade nos faz ficar na informalidade de um pedido feito com carinho, mas sem a famosa palavrinha mágica.

Mas pensando que você precisa aprender a pedir as coisas assim, afinal faz parte do guia da boa educação para crianças, começamos a te ensinar a dizer o "por favor" quando você nos pede alguma coisa, mas sem pressão, sem estresse. Se você quer dizer, diz, se não quer não diz.

Uma manhã dessas você acorda antes de nós sairmos para trabalhar e me chama assim assim:

Mamãe! Mamãe! Faz tetinho pui favoi!

Há! Garota esperta!

...

Eu nunca gostei muito da sessão de brinquedos para meninas. Acho tudo um saco de tão rosa/lilás. Como se não bastasse isso, parece que todos os brinquedos das meninas são voltados para serviços domésticos, é um festival de máquina de lavar louça, roupa, ferro de passar, pia e fogão que me dava um nervoso só de ver. Tudo rosa e lilás ainda por cima.

Quando não são os utensílios domésticos, são aqueles bebês que choram, fazem xixi e coco, pedem mamadeira e chupeta e tantas outras coisas que me cansava só de imaginar você numa atividade dessas. Não, você ainda terá muito tempo para aprender sobre isso, e apesar de saber e reconhecer a importância de brincar de bonecas, não acho que essas bonecas tenham que ser uma cópia de um bebê de verdade, que você saberá um dia, dá um trabalho danado! Por essas e outras nunca te dei um bebê de presente.

E, claro, ainda temos os brinquedos sessão belezinha: cosméticos, secadores de cabelo, chapinhas (!), bobs...não, nunca dei isso também.

Eu me lembro de que quando estava grávida e já sabendo que você seria menina, eu passei a me revoltar ainda mais com essas sessões de brinquedos. Por quê, eu me perguntava, os brinquedos dos meninos eram apenas para brincar (carrinhos, pistinhas de corrida, dinossauros, jogos, bolas) e a sessão das meninas sempre relacionada à trabalho ou à vaidade?

Eu acredito que os brinquedos hoje em dia tenham que ser unissex, afinal, as mulheres e homens do amanhã devem crescer sabendo que não existem serviços apenas para homens e outros apenas para mulheres.

E tudo, tudo isso só para justificar que eu comprei um joguinho de chá para você este final de semana e você amou! Passou longos minutos fazendo pizza, bolinho e dando chá e café, além de tetinhos mil para  a Panterinha, o gato rosa mimoso, a Upa e a Rosinha.

Mas que fique bem claro: se você fosse um menino e demonstrasse gostar de brincar de comidinha, eu daria um jogo de chá também, assim como tenho na minha lista de presentinhos um jogo de ferramentas para você, que adora arrumar e consertar as coisas!

E que venha o futuro!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cheia de habils!

Obrigada a todos que passaram por aqui nesses dias em que estive fora. É muito bom receber carinho e dicas sempre! Aos poucos vou retomando as visitas e me atualizando de tudo.

Márcia! Fiquei muito feliz em saber que a família de vocês aumentou! Você não deixou email, se puder me manda, tá?

Esses dias de introspecção trouxeram algumas descobertas maravilhosas do desenvolvimento da minha filha primogênita (céus!).

Você descobriu o encontro consonantal "br" e "pr", e fala de maneira muito engraçada: sombra é sombara, abri é abiri, prato é parato e açúcar, que não tem nada a ver com isso, mas só para rimar, é açucara!

...

E você está adentrando o seu próprio mundo criativo, já fica uns bons minutos brincando e falando sozinha ou com seus bonecos. Inventa falas para a Panterinha, a Rosinha e a Upa, e quando sai do berço pela manhã se despede da mergulhadora, da baleia, do siri, dos peixinhos e do cavalo marinho. Acho uma graça!

Também fico obervando que você repete com seus bonecos as nossas conversas com você e os nossos cuidados também. É muito bonitinho!

Mas não são só os bonecos que ganham vida e falas. Parece que você herdou a vocação da tia Mari de dar nomes e personalidade a objetos. Dia desses você pegou uma bisnaga de patê e ficou longos minutos conversando e dando comidinha para ela, tirou a roupa (etiqueta) e disse que ela estava pilada, depois disse que ela estava com frio e colocou a etiqueta novamente. E ainda fingiu que era uma flauta! Eu e o seu pai ficamos só observando e entrando na sua historinha.

...

Agora quando você nos pede alguma coisa e a gente te dá além de agradecer, você ainda acrescenta oblrigada por ter feito! Não é uma fofura? Morri da primeira vez que ouvi.

Neste final de semana eu comprei uma joguinho de chá para você brincar. Depois que abrimos a caixa e você brincou um pouquinho, veio em minha direção e disse oblrigada por ter feito brinquedinhos e me deu um beijo! Assim, espontaneamente. Fofa demais da conta!

...

Na semana em que fiquei em casa de repouso você ficou chateada uns 3 dias comigo porque queria brincar como sempre fizemos e a mamãe não conseguia levantar e ficar conversando, dançando, pulando. E você ficava chateada e chorava, chorava. Depois passou a entender que a mamãe só poderia brincar paradinha e aí passou a ficar ao meu lado no sofá, com seus brinquedos ou assistindo DVDs. A energia você guardava para o seu pai, quando ele chegava do trabalho! Aí parecia que queria tirar o atraso do dia e saía a brincar com ele de pular, dançar, esconder...Foi bom perceber que você já é capaz de compreender essas situações.

...

Quando eu era criança eu me divertia muito brincando com minhas mãos! Ficava horas brincando com elas como se fossem bonecos. Ontem enquanto você estava deitada ao meu lado tomando suco você começou a brincar com suas mãos! Tive que me conter para não te esmagar, mas consegui e fiquei uns bons minutos te vendo descobrir as formas que a sua mãozinha de lontra consegue fazer e como isso pode ser divertido.

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Seu entendimento sobre o irmãozinho está melhorando. Dia desses eu estava trocando sua fralda e você começou a balançar as pernas, me chutando de leve na barriga. Eu te expliquei que não podia fazer assim, porque machucava a mamãe e que agora a mamãe estava com um neném dentro da barriga, que ele também ficaria machucado. Na mesma hora você parou e disse o irmãozinho da Ísis e começou a fazer carinho com os pés.

...

E você também passou a inventar suas próprias musiquinhas! Você canta coisas que vai fazer ou está fazendo e me fez lembrar de mim mesma quando você nasceu! Tudo que eu fazia eu cantava numas musiquinhas muito ordinárias! Mas que te acalmavam e me ajudavam a não me sentir tão só, afinal quem canta seus males espanta!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Repouso...e as novidades!

Desculpem o sumiço! Obrigada a todas pelos comentários e emails carinhosos! Estive visitando os blogs nestes dias, mas sem aquela disposição para comentar. Foi assim: enjoo forte, vômitos frequentes, insuficiência respiratória (que nunca tive na vida), tosse seca, muita tosse, mais vômitos, dores pelo corpo, caos, desespero!

Hoje finalmente consegui um obstetra para me antender aqui em SVP. Gravidez de mais ou menos 9 semanas, bebê bem, coração batendo a mil (e eu chorei, chorei, igual ao da Ísis), mas...por conta das tosses e tals eu tive um pouco de cólica e sangramento (calma família, está tudo bem!) e a GO me recomendou repouso até melhorar da insuficiência respiratória. Vim até o trabalho resolver pequenas pendências e vou dar uma sumidinha até semana que vem.

Neste meio tempo pesquisei muito sobre profissionais do parto humanizado e aqui no RS só existem dois: Dr. Ricardo Herbert Jones, que aparece em vários relatos de parto na internet e é super recomendado! É o único que topa parto domiciliar no RS. E tem a Dra. Ana Claudia Codesso, humanizada também, mas só topa parto hospitalar. Entrei em contato com uma doula, a Fabiana Panassol que atende em partos domiciliares e hospitalares. Detalhe trágico: todos esses profissionais estão em Porto Alegre a 500 km de distância de SVP! Se eu quiser um parto decente terei que me deslocar até lá.

Bem, liguei para os dois consultórios imaginando que os dois seriam as estrelas, né, são os únicos em todo o Estado e sei que muitas gestantes vão até POA para ganhar com o Dr. Jones. Fiquei de cara quando soube que ambos atendem meu plano! Olha que legal! Inclusive o parto! Apenas no caso do Dr. Jones, se o parto for domicilar, ele cobra um valor, claro, por ele e a equipe. A negociar...

Consegui consulta com os dois para dia 19/07, super tranquilo. Marquei com a doula também. Estou animada!

...

Neste meio tempo tempo tivemos crises e mais crises de carência da minha pequena Ísis. Tadinha. Ela não se conforma que eu esteja em casa, porém prostrada, sem brincar com ela, pegar no colo, cantar musiquinhas, nada e cupindo, como ela diz quando me vê vomitando. E ela chora, chora e eu choro, choro, e fico pensando que nesse meio de campo filho na barriga mal recebe uma atençãozinha e marido tem que se virar em 4 para cuidar de todos. Caos. Mas passa, eu sei. Mas até que passe, parece que nunca passa, né verdade?
...

E ela está conversadeira demais. Com frases complexas e tudo e com interrupções nas falas dos adultos dentro do contexto! Fico abismada!

Dia desses eu e a L. conversando sobre métodos antigos de educação (o famoso tapa na bunda) e ela ali brincando. Do nada ela se vira para nós duas e diz: mamãe, não pode bater nas pessoas, faz dodói, elas chólam! Ainda bem que eu estava dizendo justamente isso para a L.!

Duas noites atrás uma vizinha foi me visitar e no meio da nossa conversa a Ísis dispara: eu vou bincá com a Ana. A Ana qué bincá com a gente! Quem é Ana, meodeos!

Temos a batalha das meias todos os dias! Com o frio polar que faz aqui ela não quer colocar as meias de jeito nenhum! E ao mesmo tempo em que as arranca dos pés puxa o edredon para cima deles disparando: tem que tapá esse pé Ísis, tá muito frio! Ou seja, ela mesma já se dá o sermão e arranja um paliativo para o não uso das meias! Mereço!

Assistimos Glee toda semana, e esta série é sobre corais escolares e tals. Ela reconhece o seriado e dia desses ela começou a cantar sozinha do nada a música do carangueijo: calanguejo não é pexi, calanguejo pexi é, calanguejo mfhsnsjcnc bdoibxkxbki ccksifnej maréééé! E ela virou o bicho glee!

Agora ela escolhe os DVDs que quer assistir, não adianta mais empurrar nada que ela pede para trocar sem dó e fica repetindo feito a música do elefantinho até a gente trocar. Irritante. Puxou quem mesmo em??

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Devagar...

Estou aqui, estou bem, mas confesso que não amo o primeiro trimestre de gravidez. Tenho feito um esforço mental diário para não me deixar abater, como aconteceu na gravidez da Ísis, tentar seguir com minhas atividades normais, mas está bem difícil e cansativo.

Ainda agora estava relembrando aquelas primeiras semanas de gestação em que eu entrei em desespero com o enjoo que não me abandonava. Com o desespero os sintomas foram se agravando e eu desenvolvi hiperemese gravídica. Foi ruim. Eu chorava todos os dias e cheguei a afirmar que jamais engravidaria novamente!

Confesso também que após a decisão pela segunda gravidez eu tive muito medo deste primeiro trimestre, porque se na primeira gravidez já havia sido bem difícil, na segunda eu teria toda a demanda da primeira cria. Estou me esforçando, seguindo algumas regrinhas que sempre ajudam, como não ficar de estômago vazio, levar bolachinhas salgadas para a cabeceira da cama e comer antes de levantar para não enjoar...mas o que conta muito é o tal do esforço mental. E isso cansa.

Ainda estou no começo, algo entre a 6a. e 8a. semana, mas não sei ao certo porque AINDA não consegui fazer um ultrassom.

Alguns assuntos já me rondam: parto, onde, como? Tenho lido bastante e entrado em contato com alguns profissionais por email, mas sem resposta. Aqui no sul do sul é difícil praticar a teoria do parto ativo. Colegas me recomendam seguir para POA, mas só em pensar na viagem de ida...barriguda, com filho e marido a tiracolo para um lugar que não é o meu...dá uma canseira e eu penso que diabos é isso agora de querer parto natural...cesária se faz em qualquer lugar! Mas não, não dá, já fui fisgada na primeira gestação, já provei do poder da ocitocina e nesta quero um pouco mais. E ai percebo o quão longe a vida real está da virtual.

Mas são divagações de uma mãe enjoada. Assuntos para mais alguns meses.

...

Filhota está bem, brincando, mais fofa que nunca e eu tenho curtido nossos momentos juntinhas já com uma certa nostalgia. E ela está um grudinho daqueles e cheia de habilidades que agora me chama a todo instante para conferir mamãe, mamãe, a Ísis subiu na cadeira so-zi-nha, ou me chama para brincar mamãe, binca cumigo, ou na hora do soninho, mamãe me leva no becinho?

Brincando ela aprendeu algumas letras, mas gosta mesmo é do I de Ísis. Dia desses vendo um desenho do Mickey, Donald e Pateta identificou nos numerais do relógio o I de Ísis. Morri de orgulho!

Ela olha para minhas sardas e pintas no rosto e me diz que a mamãe tem formiguinhas!

Ela cuida de mim, me dá beijinho e fica do meu lado quando estou muito enjoada, faz carinho nas minhas bochechas e me chama de godinha ou fofinha.

Ainda é a ladra mais rápida no gatilho quando o que está em jogo são pedaços de chocolate, chocolate esse que ainda é o de páscoa, só para se ter uma idéia do exagero!

...

Confesso que meu coração fica um pouco triste quando a imagino não sendo mais o meu bebê, mas sim a irmãzinha mais velha, sei lá, pode ser bobagem, mas é assim que me sinto.

E o meu segundinho, tadinho, largado às traças, ou melhor, ao útero, porque tá difícil em meio a enjoos e demandas externas tirar mais que alguns minutos do dia para pensar nele. Marido até comentou que mal via a "bolinha". Tem o fato da imensa quantidade de roupas que usamos neste frio polar aqui do sul, mas tem também  a imensa falta de tempo e os meus enjoos, que me deixam desconectada por bons momentos do dia, unicamente concentrada em não vomitar na mesa de trabalho, no carro, no sapato do chefe, afe!


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Diálogo de sexta feira e mais notícias

Sexta feira é sempre um dia feliz para mim.

Antes era o final da semana de aulas, a possibilidade de uma festinha no final de semana, ir à casa das amigas jogar conversa fora, passear. Depois, já na idade do trabalho, era o final de uma semana de muito trabalho e pouca diversão, dois dias de folga para fazer o que desse na cabeça, inclusive absolutamente nada.

Agora, sexta feira também me traz a sensação boa de um final de semana que se aproxima, não mais por festas, ócio, conversas sem hora para acabar com os amigos, mas sim porque terei dois inteiros com você, filha. Nesse clima de sexta feira foi que eu e seu pai tivemos a seguinte conversa na volta do trabalho:

- Que bom que amanhã é sábado, tá tão frio, dá para ficar mais um tempinho na cama.

- É, sábado é dia de acordar as 08:00h e com o bicho no meio.

Rimos, eu e o seu pai. Essa é a rotina do final de semana. Acordarmos os três juntinhos.

- Tô com uma saudade do bicho. - seu pai fala. - Ela tá cheia de habilidades, que figurinha.

Eu concordo. Rimos novamente. Incrível sentir saudade em poucas horas, mas eu também sinto.

- Quer passar na padaria? - seu pai me pergunta.

- Não. Quero ir logo pra casa. - Tô com saudade do bicho!

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No sábado fomos almoçar no chalé de uma amiga que fez aniversário. Ela tem uma filha de 5 anos, a S., com quem você já brincou algumas vezes. Quando eu te contei que você iria encontrar a S. para brincar, olha só o que você me falou:

- Mamãe, a S. é muito sapequinha! Ela góta de fazer ba-gun-ça!

- E você, Ísis? Você é sapequinha também?

- Nããããoooo!

Achei a coisa mais fofa e cara de pau do universo!

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Faz tempo que curtimos, eu e o seu pai, a programação infantil, seja em DVD, seja na Discovery Kids ou na Cultura. Noite de sexta feira, assistindo pela 859746213957 vez o DVD da Pantera Cor de Rosa começamos a anotar os "erros de gravação" do desenho. Diálogos inteiros se passam sobre os desenhistas, sobre os erros de continuidade, sobre as caras e bocas da Pantera.

Na mesma noite passa um episódio repetido do Tooty e Pudle. "Ah, esse eu já vi, que droga, repete muito esse desenho!", seu pai me fala. Impossível não cair na gargalhada. E são vários diálogos sobre nossos desenhos preferidos e dos não tão preferidos!

Houve um tempo em que eu assistia filmes cult e seu pai filmes de ação e não nos entendíamos nos gostos filmísticos. Tínhamos raros filmes preferidos juntos. Agora temos vários desenhos preferidos que são iguais!

Quem disse que os filhos não unem o casal, em??

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Já te contamos que você vai ter um(a) irmãozinho(a), que ele(a) está na minha barriga, mas você não esboçou reação. De vez em quando fala que tem um neném na minha barriga e semana passada me ajudou a fazer massagem, muito mais pela diversão de espalhar o hidratante do que pelo ato em si, claro.

Aqui em casa combinamos que o irmãozinho vai entrar com calma na sua vida, sem pressão, sem muita falação, e por enquanto sem mudanças na sua rotina. Estou lendo sobre o assunto. Tem muita coisa! Mas mais uma vez, e ainda mais agora que me sinto bem mais segura em relação às escolhas que faço, vou seguir meu instinto, meu coração e sempre tentar me colocar no seu lugar.

O bom é que eu e o seu pai também somos os irmãos mais velhos, o que ajuda muito no quesito o que não fazer. Falar demais sobre um irmão que ainda nem chegou e que nem se faz perceber é uma dessas coisas que combinamos de não fazer.

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E com o primeiro segundo filho o contato inicial tem sido mais de leve mesmo, por total falta de tempo. Lembro quando li um texto da Mari, do Pequeno Guia sobre o receio que ela sentiu no começo da segunda gravidez, pois tudo já estava tão preenchido com a filha mais velha, que parece que o segundo não terá vez. É mais ou menos isso. Diferente da primeira gravidez, eu tenho uma primogênita do lado de fora, que ocupa todo o tempo livre, então sobra pouco tempo para diálogos com a barriga e tempo de contemplação. Ontem conversei com o filhote intrauterino, expliquei a rotina toda e agradeci pelo fato dele estar chegando assim, de mansinho, sem grandes arroubos.

E sempre que eu cuido da Ísis, faço um carinho nela, brinco, danço, pego no colo, dou comida, levo para passear falo para ele que é isso que ele vai encontrar aqui do lado de cá. Mamãe dedicada, apaixonada e irmãzinha serelepe para brincar!

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Gostaria de agradecer todo carinho recebido depois do último post! A semana foi corrida, Ísis com um pouquinho de crise respiratória, sem dormir muito bem e eu com um sono danado!

Ainda não sei exatamente de quantas semanas estou porque aqui no sul do sul ultrassom é coisa chique demais e só consegui obstetra (que são pouquíssimos na cidade) para 22/06, mas já noto algumas diferenças em relação à gravidez da Ísis:

- ainda não estou vomitando, mas fico levemente enjoada se fico mais de 3 horas sem comer;

- faço muito xixi, coisa que não aconteceu durante toda a gravidez da Ísis;

- gosto de comer de tudo, o sabor dos alimentos está acentuado, bem diferente da gravidez da Ísis em que eu não sentia gosto de nada;

- não consigo tomar café preto, igual ao que aconteceu na gravidez da Ísis;

- estou com o intestino hermeticamente fechado mesmo comendo cereais, frutas, verduras e tomando água, o que me garante um bom mal estar diário e uma barriga inchada, afe! Na gravidez da Ísis isso também não aconteceu...Aceito sugestões!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A volta da bicota, ou Bicota Survivor

Manhã de domingo. Céu azul, sol de rachar do alto dos 15 graus atingidos ao meio dia. Papai e mamãe ocupados preparando o chimarrão e você, pequena, fuçando nas gavetas do seu quarto. Chega na cozinha triunfante com um pote pequeno no formato de ursinho nas mãos. Abi!, pede, e eu abro. O que vejo lá dentro para meu horror: duas bicotas sobreviventes, cada uma com um rasgo na lateral. Tento disfarçar, mas você é esperta e pede as bicotas.

Tentei negociar. Perdi. Seu pai dá uma lavada nas duas e te entrega. No ato você sai saltitante e feliz pela casa com suas duas bicotas rasgadas: uma na mão e outra na boca, meio de lado, no melhor estilo Popeye. Ao que parece os dois rasgos não te causam estranheza, são dois velhos conhecidos, amigos da mais tenra infância.

Depois de uns chup-chup-chup eu góto bicota te chamamos para irmos passear e dizemos que a bicota não pode ir. Você me entrega as duas facilmente. Tadinha. Mal sabe que não verá mais as bicotas na volta do passeio.

Eu escondo uma sobre a estante de livros. Ao menos lá demorarão alguns anos até que você consiga achá-la novamente.

E a outra? Não sei...começo a crer que fui enganada ardilosamente por uma certa garotinha.

Não se fazem mais menininhas inocentes de 2 anos como antigamente...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Escolinha X Babá: Parte II

Eu sei, havia prometido essa segunda parte do texto para o dia seguinte à publicação do primeiro, mas quando publiquei nem me dei conta de que era sexta feira. Eu tenho uma regra: não acesso blog aos finais de semana e é por isso que esse texto só está saindo hoje, segunda feira. Perdoem!

Hoje, antes de escrever essa segunda parte, reli o texto anterior e os comentários (obrigada a todas pela participação!). Achei oportuno esclarecer que a escolinha da Ísis era muito boa, de verdade, era uma das melhores da cidade, e conversando com alguma mães na época era visível que em termos de cuidados ela estava muito a frente da grande maioria.

A minha insegurança veio a partir de muito questionamento meu e do fato de eu sempre me colocar no lugar da Ísis para tentar perceber como ela se sente. Para mim não parecia certo, saudável, bom, deixá-la num ambiente escolar numa fase em que bebês precisam de cuidados, de atenção, de colo, soninho tranquilo.

Outro ponto que vale um reforço é que este texto não é uma crítica a mães que deixam seus filhos em creche/berçário/escolinha desde muito novos. Eu mesma deixei, minha irmã deixa e a grande maioria das mães que eu conheço também deixam, mesmo as que ficam em casa. Estes dois textos têm o único objetivo de relatar uma experiência, que pode ajudar outras mães que estão em dúvida a decidirem os prós e contras de cada situação e escolherem dentro de suas possibilidades. Muitas vezes sabemos que algo não é o ideal, mas a realidade da vida de cada um é que vai pesar na hora da atuação.

Outro objetivo deste texto é questionar a maneira como as creches/berçários/escolinhas estão sendo vendidos às famílias: verdadeiros instrumentos de evolução para bebês. E eu questiono isso, essa imagem de que bebê que vai para a escolinha desde cedo aprende a socializar melhor, aprende a andar/falar/largar as fraldas/comer brócolis e qualquer outra coisa antes das crianças que não vão, que aprendem a ler/escrever mais cedo/melhor, enfim...a imagem que nos é vendida é que hoje em dia é praticamente obrigatória (mesmo não sendo) a passagem do bebê por escolinhas caso essa mesma criança deseje ser alguém capacitado para o futuro.

Desde que a Ísis deixou de ir para a escola, passando a ficar em casa com a babá, eu percebo que quando digo isso para alguém a Ísis é sempre olhada como uma criança atrasada, que não brinca com outras crianças, que não aprende nada, tipo vegeta, sabe? E eu sempre ouço a famosa frase "mas por quê você não coloca a Ísis na escolinha? É tão bom, eles socializam (percebem?) com outras crianças, aprendem a se virar (?), aprendem musiquinhas, aprendem (!) inglês, engatinham/andam/correm/pulam/falam mais rápido e melhor do que crianças que não vão para a escola...

Minha maior satisfação é ver a Ísis falar super bem, cantar as mesmas musiquinhas, dizer as cores, agradecer, pedir, contar até 10, identificar letras, mesmo não indo para a escola. As pessoas ficam admiradas com isso, como se somente na escola as crianças pudessem aprender tais coisas! E por que não em casa? Por que não com os pais, com uma babá?

Neste ponto posso passar a imagem errônea de que a babá da Ísis é daquelas com ensino superior (enfermeira quase sempre), mestrado em pedagogia e doutorado em psicologia. Ledo engano! A V., babá que caiu do céu não tem segundo grau, o que quebra mais preconceito de que somente babás com ensino superior é que são boas.

Mas e como surgiu essa babá em nossas vidas?

Quando chegamos em SVP eu tinha 30 dias de férias, 30 dias de licença e uma possível babá previamente contatada para começar a trabalhar a partir do ano seguinte. O problema é que nós havíamos chegado em julho e eu deveria retornar ao trabalho em setembro. O que fazer até que a babá indicada estivesse livre para trabalhar conosco?

Cheguei a pensar em colocar a Ísis mais uma vez na escolinha, e isso começou a me fazer mal novamente, mas não estava encontrando outra solução. Em agosto fui visitar as 4 escolinhas existentes na cidade. A que a Ísis frequentava em Joinville estava milhões de anos luz das encontradas aqui. Fiquei desesperada! O que fazer?

Foi então que conhecemos a primeira vantagem de se morar em cidade pequena: as pessoas conversam! E não apenas sobre o tempo! A idéia da escolinha estava descartada e começamos a falar com as pessoas sobre encontrarmos uma babá temporária, até vir a oficial, que ainda trabalhava na casa de um casal que iria embora apenas no final do ano.

Pouco tempo depois recebemos uma indicação. Liguei para a moça e marcamos uma "entrevista". Ela chegou e cativou a Ísis em poucos minutos. Enquanto eu conversava com ela, ela ia brincando com a Ísis, em voz baixa, fazendo carinho, enfim...cativando. Eu gostei das referências dela e senti, sabe, que ela era legal. Na conversa expliquei que seria um trabalho temporário, ela aceitou. Marcamos o dia de início.

A adaptação da Ísis com a babá foi infinitamente melhor. Não houve choro, apesar de seguirmos a mesma metodologia: começamos com poucas horas, eu junto, depois passamos para transferir os cuidados (trocar fraldas, dar comida, banho) e por último passei a deixá-las vários momentos sozinhas. A Ísis sempre ficou bem, tranquila, e na volta sempre estava feliz.

Expliquei para a V. que a Ísis não ficava na frente da televisão, que ela precisava sair para brincar, que ela, como babá, deveria brincar com a Ísis, ouvir música, cantar, essas coisas. Nos momentos em que fosse para descansar, colocar um DVD.

E assim foi feito. Eu pedia, ela fazia e em poucos dias a Ísis estava apaixonada pela babá, que além de ser a companheira dos folguedos, ainda era a cuidadora, fora o fato da Ísis estar em casa, com suas coisas, seu ritmo. Isso fez toda a diferença.

De temporária, a V. virou babá oficial, a Ísis a adora e se sente segura com ela. Nunca chorou quando saí para trabalhar quando a V. estava por perto, porque sabe que quando a mamãe e o papai estão fora ela estará bem.

Outra vantagem que eu percebi foi na saúde: raramente fica doente e neste tempo todo só teve uma virose.

E o custo? Praticamente igual ao da escolinha, um pouco mais devido aos impostos, férias, décimo terceiro, mas se pensarmos em tudo que eu gastava com médicos, remédios, as faltas ao trabalho, sai até mais barato ou equivalente. Então o custo não deve ser o único fator a se pesar para se escolher entre a babá e a escolinha.

E a babá falta? Falta. Todos os meses 3 dias devido a um problema de saúde. E nesses 3 dias contamos com a ajuda de nossa empregada e com a compreensão do chefe que nos libera mais cedo, nos permite chegar mais tarde, bem parecido com quando a Ísis ficava o dia todo na escolinha.

Primordial nesse processo de escolher a babá foram as referências: todas muito boas, sendo que as antigas mães ainda ligam para a V., se importam com ela e sua saúde, ficaram amigas. Nunca ouvi um porém a seu respeito. E ainda mais que as referências foi perceber como a Ísis reagia à presença da V.

Não é nada fácil decidirmos com quem ficará nosso filho na nossa ausência, seja por motivo de trabalho, seja por qualquer outro e é muito importante listarmos os prós e contras e cada situação antes de decidirmos.

Um conselho meu é não descartar a possibilidade da babá antes de experimentar, se essa for uma opção viável. Outro conselho é observar bem as reações dos filhos, fazer a adaptção de maneira bem gradual e dar umas "incertas" em casa até estar segura. Eu fiz muito isso: chegar fora de hora e ficar escutando...aliás ainda faço, assim como fazia na escolinha.

E valorizar o trabalho da babá sempre, porque ela é responsável pelo nosso bem mais precioso quando estamos ausentes. Eu sempre elogio, sempre agradeço, nunca a trato como subalterna, como empregada, mas sim como parceira, porque na verdade é nisso em que eu acredito, somos uma boa parceria, ambas temos algo que a outra precisa, então não se cogita hierarquia, mas sim uma relação de ajuda mútua, de carinho e de confiança.

Outro ponto importante é que babás são babás: o trabalho delas e cuidar das crianças, brincar com elas, levar para passear. Não é limpar a casa, fazer comida, lavar a roupa. Se a babá tiver que fazer essas coisas, não tardará muito e seu filho ficará prostrado em frente à TV, ou pior, estará mais sujeito a acidentes domésticos.

Pense: quando você deixa seu filho numa creche nenhuma das cuidadoras limpa a sua casa, faz a sua comida, não é? Então por que a babá deveria fazer? Não se trata de luxo, como muitos podem pensar e como muitos já me disseram também. Eu considero especialização do trabalho. Para cuidar da minha casa posso elaborar um outro esquema, seja fazer quando chega em casa, seja contratar diarista, seja ter empregada.

E vocês? O que pensam sobre isso?




sexta-feira, 20 de maio de 2011

Escolinha X Babá: Parte I

Faz algum tempo que eu venho ensaiando escrever sobre a minha experiência com escolinha/berçário e babá. Já escrevi dois textos, um contando amenidades e outro já iniciando um papo sobre a minha mudança de opinião e o dilema que eu vivi no ano passado. Inclusive a querida Betty Mello, do Canto do Conto, deixou um comentário que fez acender ainda mais o dilema que vivia, e que muito me ajudou a decidir.

Faço isso porque, da mesma maneira que eu aprendo muito com as experiências de todas as outras famílias que eu acompanho, seja porque faria exatamente igual, seja porque faria exatamente diferente, acredito que a troca de idéias é sempre válida e a exposição de experiências alheias pode sim nos fazer tomar decisões diferentes daquelas que tomaríamos se não tivéssemos sabido desta ou daquela história.

Cabe esclarecer mais uma vez que o que eu vou relatar aqui é a minha experiência, a minha vivência. As minhas decisões foram tomadas com base nos meus desejos, nos meus conhecimentos e na maneira como eu desejo que a minha filha viva. Não se trata de algo do tipo "certo x errado", pois assim como existem inúmeros estudos afirmando que crianças que convivem com babás desde cedo possuem transtornos de personalidade (lembra da história dos homens não serem fiéis por conta disso? pois é...), também existem outros tantos estudos que afirmam que não há vantagem alguma no fato de bebês ficarem submetidos a uma série de estimulações precocemente.

O que não se discute nunca é que bom mesmo é ficar com a família. Não digo com a mãe apenas, porque hoje em dia não se pode , e digo melhor, NÃO SE DEVE falar apenas na mãe como principal cuidadora, mas no pai, nos avós, nos tios.

Não estranhem o fato de eu escrever tudo como decisão minha. Eu converso muito com meu marido sobre tudo que desejo para nossa filha, todas as minhas idéias, ele me ouve, me ajuda a tomar decisões, mas na dinâmica da nossa família a minha palavra acaba pesando um pouco mais nas questões relacionadas com a Ísis. Não se trata de quem "manda mais" como muitos podem pensar, mas de especialidade mesmo. Da mesma forma como ele confia nas minhas decisões, eu confio nas decisões dele acerca de uma série de outros assuntos.

Não sei se todas sabem, mas nós morávamos em Joinville/SC até julho de 2010, e a partir dali nos mudamos para Santa Vitória do Palmar/RS, para trabalharmos no Chuí, em razão do meu trabalho e do meu marido.

Pois bem. Eu engravidei em Joinville, a Ísis nasceu lá e durante toda a gravidez eu sempre tive como certa a escolha pela escolinha/berçário para o período após licença maternidade. Eu não tinha dúvidas. Na época, eu só conhecia essa realidade e em cidades maiores é meio que senso comum colocar os bebês nas escolinhas. A convivência com outras pessoas é mais restrita, é difícil conseguir alguma indicação profissional, morávamos longe da família e não queríamos ficar a mercê de babás que tinham a fama de faltar muito.

Eu pesquisei algumas escolas particulares na cidade, todas muito boas e acabei ficando em dúvida entre duas: uma que tinha um super espaço para os bebês do berçário, fazia a linha mais tradicional, mas tinha mais bebês por turno, além de ser a escola escolhida por vários amigos, o que me deixava segura. A mensalidade ficava em torno dos R$ 730,00 com toda a alimentação incluída e a nutricionista da escola era minha amiga.


 A segunda opção era uma escola "alternativa", que trabalhava numa pedagogia holistica e parecia um sítio em meio a cidade. A sala dos bebês não me agradou, era super pequena. Ela era mais cara em torno de R$ 100,00, o que pesou, assim como o fato de eu não conhecer ninguém que tivesse colocado os filhos lá, na decisão.
 
Eu optei pela primeira, apesar de ter amado a proposta da segunda, e parti para o mês de adaptação da Ísis antes do retorno ao trabalho.
 
Antes de matricular a Ísis a coordenadora explicou como seria a adaptação: no começo seria 1 hora na parte da manhã e outra na parte da tarde, já que a Ísis ficaria em turno integral. Eu teria a liberdade de deixar a Ísis sozinha ou ficar com ela na sala. O tempo na sala iria aumentando gradativamente até ela ficar as 10 horas (!) diárias. Seriam 5 cuidadoras na parte da manhã,  e outras 5 na parte da tarde (eram no máximo 18 crianças por turno) sendo que apenas uma delas era formada em pedagogia em cada turno, as outras eram estudantes ainda.
 
Começamos a adaptação, o primeiro dia foi um horror. Nada daquela teoria toda sobre a adaptação parecia ser colocada em prática. A responsável pela adaptação da Ísis estava tão ocupada que acabou negligenciando um momento tão delicado e a Ísis (e eu consequentemente) chorou muito durante toda a primeira hora dela na parte da manhã.
 
Eu ainda me lembro da sensação de derrota, da profunda insegurança e da tristeza que me acometeu quando saí da escola. Eu cheguei desesperada em casa e conversei com marido sobre o assunto. Ele me acalmou e me incentivou a conversar com a coodenação.
 
Não levei a Ísis a tarde e na manhã seguinte pedi para falar com a corrdenadora que havia me "vendido" a imagem da escola, mas ela não estava e veio outra em seu lugar. Desabafei, chorei, falei tudo que eu havia visto e que não havia gostado, que na teoria a escola tinha me deixado super segura, mas na prática havia acabado com uma convicção construída desde sempre.
 
E aí veio a frase feita, sempre dita e que eu acho horrorosa mas mãe você precisa estar segura, porque se você não estiver segura acaba passando essa insegurança para sua filha e a adaptação dela vai ser mais difícil. A gente percebe que quando a mãe está tranquila, a criança se adapta mais facilmente.
 
PQP, pensei na hora, eu ESTAVA super segura ANTES de ver uma porção de coisas que me deixaram insegura, então a Ísis não havia chorado porque EU ESTAVA INSEGURA, mas sim devido a falta de cuidado da escola - que se dizia preparada e experiente - num momento tão delicado. Li muitos textos de "pedagogos" sempre enfatizando o papel da mãe na adaptação, mas dificilmente questionando a escola e sua metodologia, ou melhor, a sua prática, já que possuir um método não significa aplicá-lo.
 
Muitos dias depois, muito choro meu e da Ísis, muitas horas sentada na recepção da escola esperando, eu tive que voltar a trabalhar. No começo ia na hora do almoço fazer uma visita, mas sempre que eu aparecia a Ísis chorava na hora de eu ir embora, o que me deixava ainda mais torturada, e depois de 2 semanas e com o incentivo da coordenadora, passei a ir e apenas espiar pela janela. Um tempo depois eu deixei de ir na hora do almoço e apenas ligava para saber como ela estava.
 
A Ísis chorava quase sempre que era deixada na escola e quando me via na porta ficava desesperada para sair. O que me deixava mais calma era que ela parava de chorar rapidamente, distraída com alguma coisa. Depois de um tempo ela passou a ter uma professora como referência, ironicamente a mesma do primeiro dia, e só não chorava quando era esta professora quem vinha buscá-la na porta.
 
Três semanas depois veio a primeira virose, uma doença de pele, um resfriado e daí não parou mais até evoluir para bronquite. O pior pesadelo era saber que ela estava doentinha e não poder ficar com ela, ter que deixá-la na escola no meio de outras tantas crianças...aquilo me torturava demais. E a escola de fato não era ruim, mas eu não podia imaginar que a Ísis ficasse bem, ou preferisse estar ali do que na sua casa, com suas coisas, longe de tanta gritaria, barulho, choro.
 
Porque tinha mais isso: a Ísis nunca gostou de ver outras crianças chorando (ainda hoje ela não tolera muito, fica triste) e era doído ver a carinha que ela fazia quando um coleguinha começava a chorar. Eu me colocava no lugar dela: fechada num espaço cheio de estímulos visuais, com outros tantos tão ou mais pequenos do que ela, que muitas vezes estavam gritando ou chorando quando ela só queria dormir, ficar quietinha...
 
E aí chegavam aqueles trabalhinhos pedagógicos...nunca gostei daquilo porque sabia que era apenas para "inglês ver", já que os bebês ali não tinham 1 ano. Eu também sabia que tudo aquilo demorava muito para ser feito, o que equivalia a menos professoras cuidando dos bebês.
 
Ao mesmo tempo eu passei a perceber que das 5 professoras em sala, 1 estava sempre na hora da folga, 1 estava sempre afastada para preencher a agenda e fazer as colagens e essa frescudada toda dos tais trabalhinhos pedagógicos, outra estava no rodízio da troca de fralda e do banho...ou seja, sobravam em sala efetivamente 2 cuidadoras. Para 18 bebês!
 
E um belo dia a Ísis chegou super assada em casa. E em outro chegou com uma mordida na bochecha. Em outro chegou com a fralda suja de coco. Em outro vi ela com pouca roupa e o ar condicionado super gelado na sala, o que valeu uma chamada minha e a resposta mas mãe (odeio!) está muito calor aqui dentro. E em outro estava anotado na agenda que ela havia "comido super bem", sendo que a cuidadora que havia me entregado a Ísis havia dito que ela não havia se alimentado direito.E ainda haviam os alimentos que eu não gostaria que ela comesse, principalmente nos aniversários.
 
E o que dizer das tarefas enviadas para os pais em casa? Foto disso e daquilo, papel assim e assado, embalagem A, B, C...para quê, meodeos, se ali naquela turma estavam bebês que precisavam de cuidados e não de atividades pedagógicas!
 
Enfim...em menos de 3 meses de escolinha eu já estava convicta de que aquilo não era o ideal para minha filha. Tentei conversar com algumas pessoas, conversei muito com o marido, mas a outra solução, que seria ter uma babá em casa, não seria fácil de concretizar. Onde encontrar alguém que fosse cuidadosa com bebês alheios nos dias de hoje? Eu não tinha referências, eu não sabia por onde começar e foi ali que me arrependi de não ter contratado alguém para me ajudar quando ainda estava grávida, pois caso tivesse feito isso, depois de 7 meses em casa já poderia sair para trabalhar com mais segurança na pessoa com quem iria deixar minha filha.
 
A decisão estava tomada: a Ísis não ficaria mais numa escola, eu havia escolhido deixar ela em casa com uma babá e faria isso tão logo conseguisse alguém.
 
Infelizmente, devido a uma série de motivos nós não conseguimos irá-la da escola antes de irmos embora de Joinville. Passamos mais alguns meses ruins, eu, principalmente, que acabei ficando sozinha em Joinville enquanto meu marido tinha que viajar a trabalho.
 
A solução que encontrei foi mandar o trabalho às favas. Cada vez que a Ísis adoecia eu ficava em casa e não a levava para a escola. Nessa fase contei muito com a compreensão dos colegas de trabalho e do chefe, que nunca me cobrou nada por mais que, acredito, tivesse vontade.
 
Marido voltou de viagem, nossa mudança para os pampas estava marcada e eu segui convicta de que não colocaria mais a Ísis na escola, ao menos até a idade obrigatória.
 
Sobre a saga para encontrar uma (boa) babá eu escrevo amanhã.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Depois das férias...

Depois das férias veio a Páscoa e com ela uma boa dezena de ovos que o colelinho touxe, não apenas para a Ísis, mas para os pais da Ísis, que não são mais crianças, mas que parecem ter se comportado muito bem no último ano, considerando a quantidade exorbitante de chocolates que trouxeram para casa...

E isso nos fez relembrar as nossas páscoas no caminho de volta, gerando um bom assunto para dois balzaquianos diante de muita estrada para percorrer. Concluímos que:
- OU ganha-se muito mais hoje em dia e por isso as compras de páscoa não pesam tanto no orçamento das famílias,
- OU os chocolates estão proporcionalmente mais baratos e com isso é possível comprar muito mais com muito menos,
- OU com os meios de comunicação de hoje, muito mais eficientes, muito mais apelativos, nos deixamos vencer pela onda de consumismo que impera neste mundo capitalista, abandonando nossos ideais sociais da adolescência, toda essa preocupação com o meio ambiente, e com a produção mundial, e com os recursos naturais escassos torna-se balela diante do coelhinho de chocolate, porque somos imediatistas, porque amamos chocolate, porque agora temos filhos/netos.

E não seria justamente por causa desses últimos que deveriamos repensar?

Eu me lembro que ganhava UM ovo da minha mãe, da minha avó eu ganhava UM coelhinho de chocolate ou uma daquelas cestinhas bem pequenas com balas, ovinhos, merendinha e um mandolate (delícia). Dos tios um bombom sonho de valsa, quando muito. Os adultos não ganhavam chocolates. No máximo uma caixa de bombons da mãe.

Hoje temos competição para saber quem ganhou mais ovos...bah!

E se antes eu acabava com a minha cestinha de páscoa na primeira semana, agora preciso esconder quilos de chocolate em cima do armário...tem lógica isso?

Nessa terra de gigantes

Eu sei, já ouvimos tudo isso antes

A juventude é uma banda

Numa propaganda de refrigerantes
(Engenheiros do Hawaii)
...

Em casa, depois de duas semanas de viagem o saldo foi de quilos a menos (no bebê, não na mãe) por conta da falta de apetite que sempre ocorre em viagens (no bebê, não na mãe) e uma virose que resultou em dez dias de diarréia (no bebê, não na mãe).

O tempo é de recuperar o tempo perdido e os quilos perdidos (do bebê, não da mãe) de maneira que tenho uma Pac Baby voraz!

Numa única tarde de sábado foram risonhamente consumidos, com direito a gritinhos de hum, delícia papazinho: 1 pote de iogurte natural, 8 biscoitos de trigo uruguaio, 1/2 cacetinho (calma, você continua no blog certo, não se assuste) com manteiga, 2 copos de suco e 1 ovinho de chocolate para arrematar!
...

A brincadeira da vez é acundê.

O lugar é sempre o mesmo: atrás da porta do meu quarto. Fica lá bem quietinha e quando eu pergunto "onde está a Ísis?", sai correndo de trás da porta rindo alto e gritando achou, para em seguida me empurrar para fora do quarto dizendo acundê mamãe.

Vinte vezes seguidas foi o récorde até agora!

Também podemos brincar de esconder com ela colocando alguma coisa sobre a própria cabeça. Daí sai andando com as mãos para a frente (feito Michael Jackson em Triller) e normalmente bate com ela em algum lugar.

Mas caso ocorra tudo bem, o resultado é o mesmo: muito riso e aquele achou no final. Esmago!
...

E ela é fã do Yanni, carinhosamente chamado de bigode ou bigus!

Começou assim: cansados do Cocoricó, Urso da Casa Azul e MPBaby, papai e mamãe apresentaram o "moço do bigode" para a pequena Ísis!

Nascia ali mais uma história linda de amor entre fã e ídolo!

Agora o bigus é pedido constantemente e ao ouvir a musiquinha ela ri satisfeita e solta gritinhos: bigus, bigus, bigus!

E eu era fã do Menudo, do Dominó e do New Kids...tsc...tsc...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Adeus bicota!

Esse é para a Tia Mari, que reclamou que os textos aqui andam ficando muito politizados e que ela não quer nem saber de deputado sacana, se eu não consigo comentar em outros blogs ou que eu penso sobre A ou B. Ela quer saber é da sobrinha...Então tá!

Tchau Bico! Nossa relação foi muito boa enquanto durou, mas agora é cada um por si!


Faz pouco mais de um mês que você não chupa mais sua bicota. Nunca mais ouvi a sequência de pedidos na hora do cansaço ou do sono: mantinha, bico. Agora é só mantinha.

No começo eu tinha dúvidas sobre o bico: usar ou não usar? Depois de muito ler resolvi que usaria sim, se você quisesse, mas que cuidaria para que você não andasse com o bico pendurado o tempo todo. Permitido na hora de dormir, quando estivesse precisando de conforto, essas coisas.

Mas aí você nasceu e não teve bicota dos ursinhos, dos patinhos ou do corínthians que fizesse você pegar o negócio. Tudo bem, apesar de muitas vezes eu ter ganas de que você parasse de me chupeitar e pegasse de uma vez o bico de silicone.

Aí, um belo dia, você resolveu que não queria mais mamar no peito. Simples assim. Se foi. Nunca chorou ou pediu peito outra vez depois daquele dia. E o bico virou seu melhor amigo então.

Um ano depois você começor a morder o bico, até que fez um furo. Ficou imprestável para chupar, ao que você me disse que "istagô, tem que compá". Mamãe temerosa de um ataque de nervos correu na farmácia e comprou mais dois, que duraram apenas mais um dia, pois você voltou a morder os bicos e deixá-los com um rasgo.

Acho que era domingo e não havia farmácia aberta (nós moramos no sul do sul), então disfarcei quando você me disse "istagô, tem que compá". Apenas concordei, mas não comprei nem no domingo, nem na segunda e nem nas próximas semanas que se seguiram.

Você pedia o bico e nós te dávamos o estragado. Você ficava alguns minutos com ele na boca e logo descartava, ou ficava la fuçando no rasgo que você mesma havia deixado na lateral. Sempre dizendo que "istagô", ou "tá istagado", mas nunca chorou pedindo um novo.

Com o tempo você foi deixando de pedir, nós escondemos os bicos estragados e hoje já faz quase um mês que você nem se lembra deles.

E isso me fez lembrar do post da Mari sobre isso: se você chupasse o dedo, como seria? Como "istagar" o dedo para você não chupar?

Eu também sempre tive muito receio que você chupasse o dedo (ainda que lá nos primeiros meses estivesse rezando para você pegar dedo, bicota, ponta do cotovelo, qualquer coisa!), pois tive uma amiga que tinha esse hábito mesmo depois de adulta e era meio esquisito.

No nosso caso, melhor o bico, que já se foi!

Em tempo: escrevi este texto ontem a tarde e durante a noite você pediu o bico pela primeira vez em um mês. Falei que não tinha, que o bico estava estragado e você dormiu sem mais tocar no assunto. Todos passam por momentos de recaída, né?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Detalhes do dia



Existem esses momentos que ficam eternizados na gente...são alguns segundos na nossa rotina, que, assim, do nada, parecem ser realmente vistos pela primeira vez!

E porque você acorda arrancando as meias e se agarra em meu pescoço, e me pede seu leite com chocolate e sorri com olhos acizentados E porque você me agradece dizendo bigada, dinada, sem saber das convenções, dos preconceitos, dos turbilhões, dos erros e acertos E porque você é assim nervosinha, mandoninha, cheia de habilidades, cheia de bossa, cheia de felicidade E porque você me chama, você me cativa, você me ensina, você me faz mais feliz E porque você tem minha pele, meu sangue, meu coração, você é meu lar, meu lugar ao sol, meu céu estrelado, meu mar azul num dia acalorado E porque você me faz massagem com a mão mais pesada que um bebê pode ter, e me faz chucas e pentados de enlouquecer E porque você me imita, calça meus sapatos, veste meus sutiãs, passa meus desodorantes e usa meus culailes E porque você tem esse cheirinho de travesseiro quando acorda, esse chulezinho gostoso no pé, esse cabelinho cheiroso de xampu de bebê E porque sua pele é macia, é quentinha, é fofinha que me dá vontade de morder.


Inspiração: esse post

segunda-feira, 28 de março de 2011

A primeira sessão de por quês a gente nunca esquece...



Desde que eu escrevi esse texto aqui muita água já passou por debaixo da ponte de carneirinhos brancos e saltitantes do sono. Tem noites que tudo sai perfeito, como num roteiro de filme, mas é claro que tem aquelas noites em que nada dá certo e ontem foi uma delas, acrescida de uma pitada de especialidade, já que foi a sua primeira sessão noturna de por quê? (ou pu quê?, como você diz).

Em tempo:
A primeira vez que você fez uso do pu quê, foi numa tarde em que estávamos brincando eu, você e o porquinho (fantoche) e lá pelas tantas subiu um cheirinho característico de fraldas cheias. O porquinho prontamente te avisou que as fraldas estavam cheias e deveriam ser trocadas para continuarmos a brincadeira. Na hora você parou, olhou para mim (sua mãe) e largou um pu quê? Explicações sobre a comida, as bactérias, o bumbum assado e a higiene necessária e esperada para seres humanos e você deu o assunto por encerrado.

Continuando...

Noite passada acordo às 02:00h da madrugada com você me chamando. Tento te convencer a deitar novamente, você não aceita, quer colinho. Pego você e sentamos na poltrona. Você pede o tetinho iaiate (você já sabe falar chocolate, mas sempre que pede seu leite, pede desta forma). Eu te explico que você precisa ficar no berço para que eu possa preparar o leite. A partir daí, seguiu-se quase uma hora de pu quês:

- Filha, você precisa ficar no seu berço para a mamãe preparar o seu tetinho.
- Pu quê?
- Porque você cresceu, está mais pesada e a mamãe não consegue mais preparar o tetinho apenas com uma mão, sente dor nas costas. Você espera no bercinho?
- Nããão! Num qué becinho, qué caminha!
- Não filha, a cama da mamãe está desarrumada, não dá para você esperar lá. Você tem o seu berço.
- Num qué beço, qué caminha, tetinhoooo iaiate!
- Já te expliquei: fica no seu berço que eu preparo o teti para você. Ou ficamos aqui na poltrona até você dormir (percebe que a paciência já estava rareando?).
- Pu quê?
- Porque é de madrugada, hora de dormir.
- Pu quê?
- Porque de noite a gente dorme para descansar, para ter energia para brincar de manhã. Você não gosta de sair e brincar com seus amiguinhos? Tem que nanar (paciência zero aqui)!
- Pu quê?
- Porque é assim que as coisas são: de noite dorme, de dia brinca e agora é de noite.
- Qué tetinhoooo!
Explico tudo novamente
- Nããoooo! Mufada! (pede para ir para o sofá da sala)
- Não filha, agora não é hora de ver desenho.
- Pu quê?

Segue-se mais explicações sobre o relógio biológico, falo do Simão (do livro Todas as Noites do Mundo), falo do berço, etc, etc.

Quase uma hora depois acho que respondi todas as suas perguntas sem cair em contradição, pois você virou para mim e pediu o tetinho iaiate pela milionésima vez, aceitando esperar por ele no berço. Fiz 100ml de leite (sem o chocolate, pois de madrugada você não percebe) e vinte minutos depois de muito senta, deita, coloca bundão de fralda na minha cara, me cobre com sua mantinha, me dá seu travesseiro, você finalmente conseguiu dormir.

Quando estou te cobrindo você sorri no sonho. E eu rio junto. Mais uma noite.
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