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terça-feira, 6 de setembro de 2011

A alienada

Final de semana, festinha de aniversário de 1 aninho do filhote de uma amiga. Encontros, reencontros, a famosa roda dos papais falando sobre futebol, política, economia, mulher alheia, cerveja, pelada (futebolística ou não) e a famosa roda das mamães com os filhotes sob as asas falando de suas peripécias, coco, xixi, melecas e...escolinha.

No aniversário havia muitas crianças na faixa etária da Ísis e apenas eu e outra mãe que optamos por não colocar nossos respectivos rebentos numa escolinha/creche/berçário. Todas as 485965234 crianças entre 1,5 e 3 anos estavam na escolinha.

Eu gosto muito desses encontros, sério mesmo. Não perco uma oportunidade de observar e comparar (ainda que mentalmente) a genialidade da minha filha (cof, cof) com a genialidade alheia. E posso dizer? Morro de orgulho, há!

Daí que lá pelas tantas, todas as outras mães observando aquele serzinho acima da média (cof, cof) me largam a pergunta: "ela está em qual escolinha?"

Não, minhas caras, ela não está em escolinha nenhuma há exatamente 1 ano e 1 mês.

"Nãããooo? Ah, mas por quê? Ano que vem você vai matricular, né?"

NÃO.

"Mas escolinha é tão bom, as crianças aprendem a socializar (aham, tá bom que fedelhos dessa idade aprendem a socializar, me engana que eu gosto, eu penso, mas não digo), elas são estimuladas na sua psicomotricidade (você sabe o que é isso?), elas aprendem a dividir..."

Daí nessa frase do "elas aprendem a dividir" eu, que não sou santa, nem elevada moral e espiritualmente não me aguento e largo um "Fala sério, né? É só olhar essa rodinha de bebês e pequenos infantes que dá para notar que a escolinha não ensina ninguém a dividir." Olhares me fuzilando, saio estratégicamente pela esquerda arrastando meu barrigão...bexiga de grávida, sabe comé?

Eu passei praticamente toda a festinha justificando o por quê de não colocar a Ísis numa escolinha, fazendo-me de surda (não com muito sucesso) para frases dos tipos acima.

Já escrevi dois textos sobre o assunto: aqui e aqui. Eu não fico reprovando mães que colocam os filhos desde cedo nas creches, cada família tem uma dinâmica, uma necessidade e suas crenças. Se você acredita que seu filhote vai estar melhor numa escolinha, que assim seja! Ou se você não tem outra opção viável, que assim seja também. Ninguém é melhor ou pior por estar ou não numa escolinha. A Ísis esteve numa dessas por 9 terríveis meses em turno integral...

Mas nós (eu e marido) não acreditamos nisso e não tem discurso sobre psicomotricidade, pedagogia Waldorf/Montessori que me faça mudar de idéia. Até porque eu vejo a desenvoltura da Ísis e vejo a das outras crianças que vão para a escolinha e ela não está "atrasada" em relação à ninguém. Ela fala com desenvoltura própria para a idade, se locomove bem, pula, corre, sobe sobre móveis, salta obstáculos, canta musiquinhas com coreografias, pinta, recorta, molda, encaixa, desencaixa, "lê" livrinhos, etc...etc... e convive com outras crianças também , afinal ela não vive trancada dentro de casa: vai ao parquinho, à praça, brinca com os filhos dos vizinhos, dos colegas de trabalho...sociabilidade e psicomotricidade garantidas! Ainda que sem um projeto pedagógico!

Agora aprender a dividir na escolinha...ah, isso não! É da idade não querer dividir nada nessa fase, teoria comprovada neste aniversário onde crianças de 0 a 5 anos brincavam e disputavam brinquedos alucinadamente num festival de não, é minha; não, é meu, enquanto mães apaziguadoras, estivessem seus filhos na escolinha ou não, repetiam "tem que dividir com o amiguinho, agora é a vez dele, depois você brinca."

Minha idéia é: crianças pequenas ficam em casa, na segurança do seu lar, no conforto de suas caminhas, com suas comidinhas de casa, seus passeios ao sol, seus colos exclusivos (ao menos até nascer o segundo), suas estimulações naturais, seu convívio periódico com outras crianças.

Já tive a experiência da escolinha, não é para mim, não adianta tentarem me convencer do contrário, pois não há teoria da psicomotricidade e sociabilidade que resista a uma rodinha de bebês/crianças fazendo exatamente as mesmas coisas.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um pouquinho dela


Ô fase mais gostosa essa! Passo longos minutos te ouvindo brincar conversar com seus brinquedos. Você é muito carinhosa, filha, até de uma garrafa de refrigerante um dia desses você cuidou como se fosse o mais frágil dos bebês: ninou, fez carinho, trocou a fraldinha, enrolou na mantinha para que ela ficasse bem "quentinha e potegida". Fofa demais!

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Sobre o bebê na barriga e o irmãozinho ou irmãzinha que já se anuncia ainda estamos devagar. Você já sabe que tem um bebê na minha barriga e na última consulta você viu um ultrassom (e dia desses disse que a mamãe estava com um barrigão!) . Creio que não entendeu muita coisa, mas atualmente temos aproveitado para reforçar a idéia de irmandade para você sempre falando que algo ou alguém é irmãozinho de outro. Você ouve, dá uma risadinha, e só.

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Já percebemos que você herdou a veia debochada do seu avô e do seu pai. Um dia desses estávamos eu, seu pai e a V. no nosso quarto, todos sentados ouvindo você brincar, quando do nada você diz:
- Coco. Já vai sair o coco.
Nós ficamos frações de segundo olhando e você quando se viu cercada de olhares começou a cantar, com a carinha mais safada do planeta:
- Aaaaalequim, lequim dorado cmsngfkjuroed...
A gargalhada foi geral! 

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E você também desdenha da gente na cara dura, principalmente quando está fazendo algo com alguém e não quer ser interrompida ou mudar a brincadeira. Se você está comigo e seu pai chega, você prontamente dispara:
- Num qué o papai!
E faz o gesto com a mão para afastá-lo.
Eu já levei dois "num qué a mamãe", doeu, viu? Mas quem mais leva é a L. Um dia desses você falou a temida frase para ela, ao que ela respondeu que tudo bem, mas que era ela quem cuidava de você quando a V. não está, que ela faz o seu papazinho, faz tetinho, brinca com você e que ela te amava muito. Ao que pareceu você pensou um pouco e disparou:
- Qué a L!
Esnobenta sim, boba não!

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Quando chegamos em casa e você nos vê dispara logo um "a mamãe chigou!" e vem correndo para perto de mim, para segundos depois sair correndo, pulando e falando feito uma matraquinha, provavelmente querendo me contar as novidades!

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Você está muito carinhosa e nos inunda com tantos beijos, abraços e massagens! Adoro!

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E você começou a "ler" os seus livrinhos. Olha as figuras e vai narrando o que vê entre uma frase e outra que você lembra do que contamos para você, é muito engraçadinho!

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Das palavras preferidas da vez continua o memelo (vermelho), cururido (colorido), iaiaaaate (chocolate, que você até sabe falar corretamente, mas aqui em casa já institucionalizamos o uso dessa palavra), potegido (protegido), galfo (garfo), colerinha (colherinha), açúcara (açúcar), gute (iogurte), corbra (cobra).

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Você já conta os objetos: vai pegando de um lado e colocando no outro e numerando: um, duis, tês, cato, cinco, seis, sete, oto, novi, deeez! E está se aventurando nos números de 11 a 20.
Você já reconhece algumas letras em meio a palavras, principalmente a letra do seu nome. Quando identifica um "I" diz:
- Olha, um I de Ísis!

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Adora brincar de cabaninha, que agora pode ser até debaixo do ededon. E adora que o papai faça o "show da Panterinha" na cabana. O show consiste de uma pantera cor de rosa de pelúcia e um papai cantando a música tema do bichano.
Um dia desses, no consultório médico, você estava inquieta e eu pedi que você sentasse no tapete e brincasse um pouco com a Panterinha, ao que você mesma começou o show, com sua vozinha fofa. Não houve quem não se derretesse por você naquela sala!



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cheia de habils!

Obrigada a todos que passaram por aqui nesses dias em que estive fora. É muito bom receber carinho e dicas sempre! Aos poucos vou retomando as visitas e me atualizando de tudo.

Márcia! Fiquei muito feliz em saber que a família de vocês aumentou! Você não deixou email, se puder me manda, tá?

Esses dias de introspecção trouxeram algumas descobertas maravilhosas do desenvolvimento da minha filha primogênita (céus!).

Você descobriu o encontro consonantal "br" e "pr", e fala de maneira muito engraçada: sombra é sombara, abri é abiri, prato é parato e açúcar, que não tem nada a ver com isso, mas só para rimar, é açucara!

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E você está adentrando o seu próprio mundo criativo, já fica uns bons minutos brincando e falando sozinha ou com seus bonecos. Inventa falas para a Panterinha, a Rosinha e a Upa, e quando sai do berço pela manhã se despede da mergulhadora, da baleia, do siri, dos peixinhos e do cavalo marinho. Acho uma graça!

Também fico obervando que você repete com seus bonecos as nossas conversas com você e os nossos cuidados também. É muito bonitinho!

Mas não são só os bonecos que ganham vida e falas. Parece que você herdou a vocação da tia Mari de dar nomes e personalidade a objetos. Dia desses você pegou uma bisnaga de patê e ficou longos minutos conversando e dando comidinha para ela, tirou a roupa (etiqueta) e disse que ela estava pilada, depois disse que ela estava com frio e colocou a etiqueta novamente. E ainda fingiu que era uma flauta! Eu e o seu pai ficamos só observando e entrando na sua historinha.

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Agora quando você nos pede alguma coisa e a gente te dá além de agradecer, você ainda acrescenta oblrigada por ter feito! Não é uma fofura? Morri da primeira vez que ouvi.

Neste final de semana eu comprei uma joguinho de chá para você brincar. Depois que abrimos a caixa e você brincou um pouquinho, veio em minha direção e disse oblrigada por ter feito brinquedinhos e me deu um beijo! Assim, espontaneamente. Fofa demais da conta!

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Na semana em que fiquei em casa de repouso você ficou chateada uns 3 dias comigo porque queria brincar como sempre fizemos e a mamãe não conseguia levantar e ficar conversando, dançando, pulando. E você ficava chateada e chorava, chorava. Depois passou a entender que a mamãe só poderia brincar paradinha e aí passou a ficar ao meu lado no sofá, com seus brinquedos ou assistindo DVDs. A energia você guardava para o seu pai, quando ele chegava do trabalho! Aí parecia que queria tirar o atraso do dia e saía a brincar com ele de pular, dançar, esconder...Foi bom perceber que você já é capaz de compreender essas situações.

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Quando eu era criança eu me divertia muito brincando com minhas mãos! Ficava horas brincando com elas como se fossem bonecos. Ontem enquanto você estava deitada ao meu lado tomando suco você começou a brincar com suas mãos! Tive que me conter para não te esmagar, mas consegui e fiquei uns bons minutos te vendo descobrir as formas que a sua mãozinha de lontra consegue fazer e como isso pode ser divertido.

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Seu entendimento sobre o irmãozinho está melhorando. Dia desses eu estava trocando sua fralda e você começou a balançar as pernas, me chutando de leve na barriga. Eu te expliquei que não podia fazer assim, porque machucava a mamãe e que agora a mamãe estava com um neném dentro da barriga, que ele também ficaria machucado. Na mesma hora você parou e disse o irmãozinho da Ísis e começou a fazer carinho com os pés.

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E você também passou a inventar suas próprias musiquinhas! Você canta coisas que vai fazer ou está fazendo e me fez lembrar de mim mesma quando você nasceu! Tudo que eu fazia eu cantava numas musiquinhas muito ordinárias! Mas que te acalmavam e me ajudavam a não me sentir tão só, afinal quem canta seus males espanta!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Novidades da semana e fotinho mais recente para Tia Mari!


É incrível como vocês bebês de pouco mais de um ano de vida do lado de cá da barriga aprendem com tanta facilidade! Vocês são serzinhos-papagaios! Olham, apreendem e saem repetindo tudo que a gente faz ou fala!

Você tem grande paixão por formas: bola, quadrado, estrela, coração, árvore. Tanto que sua segunda palavra, e a primeira totalmente compreensível, sem significado duplo, foi bola. Agora você aprendeu a falar e identificar a estrela, que você diz "esteia". E com o coração, você além de falar "sião", ainda bate com a mãozinha no peito fazendo "tum-tum". Essa você aprendeu com sua babá (a primeira e única assim espero), que merece um relato a parte. E seus olhos são de lince para encontrar essas formas, pois muitas vezes quando estamos passeando você desanda a gritar esteia, ou sião batendo com a mão no peito, e é só a mamãe olhar com mais atenção que logo percebe uma estrela em anúncio político ou um freezer da Kibon!

Você tem dormido muito bem nesta última semana! Já na semana anterior você emplacou 4 noites (iupiii) inteirinhas sem precisar de atenção e nesta semana foram também mais 4 noites, e todas elas com a mamãe (iupiii duplo!) já que o papai estava viajando. Porque você andava sacaneando a mamãe, né? Dormia a noite toda nas noites que eram responsabilidade do seu papi e nas minhas acordava várias vezes...

Uma das nossas brincadeiras preferidas ainda é jogar bola! Agora você chuta ("siuta") e grita gooooool! Linda demais! E temos mais duas brincadeirinhas: esconder atrás do pilar da lareira enquanto a outra procura (você sempre dá gargalhada quando me acha) e brincar de "corre-corre que eu vou te pegar" e você sai correndo e gritando "cói, cói".

Temos aproveitado as praias daqui, já que ao que parece o verão de 18 a 25 graus de SVP finalmente chegou! E você fica horas brincando na areia! Na praia da Barra do Chuí, nem liga para a água, mas na do Hermenegildo, não aguentou nem 30 minutos sem correr em direção a ela!

Lembra quando te contei da timantinha? Pois não é que você começou a chamá-la de "manca" e agora já fala certinho "a manta"? Nada de diminutivos com ela! Ela é a sua "manta" e anda grudada em você durante todo o dia!

Você tem ficado vaidosa, filha! Adora passar cremes e agora descobriu a minha pobrinha caixa de bijuterias...fica horas olhando os colares e pulseiras que a mamãe nunca usa e se enche deles, mas já elegeu um preferido: um colar prateado de bolinhas! Coloca no pescoço e sai desfilando com ele pela casa!

E ainda tem palavrinhas novas: cuco (suco), cocoicó (cocoricó), quesi (queijo), bobom (bumbum), pinha (roupinha), bainho (bainho mesmo, de banho, rsrsrs).

E tivemos um cena de ciúmes séria essa semana com o bebê de uma amiga. Mas essa eu conto depois!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O pé


Filha, se tem uma coisa que eu amo de paixão é beijar e cheirar os seus pezinhos gorduchos! E quer saber mesmo? Eu adoro quando tiro as suas meinhas e dou aquela cafungadinha sentindo aquele chulezinho gostoso! Adoro!

Aliás, você adora ficar de pés descalços! É só estar sentada em algum lugar que já fica esfregando um pezinho no outro até arrancar os tênis, para em seguida puxar as meias! Sempre que você tira as meias você diz "aminha" e me olha sapecamente. Fala a mesma coisa quando resolve sair de cima do sofá com os pés descalços, como se dissesse "estou sem as meinhas".

Você chama o pé de "pê" ou "pi", e quando cantamos a música do sapo, na parte do "hum, que chulé" você faz o gesto de sacudir a mãozinha em frente ao nariz e dá risada!

Sua mais nova brincadeira e derrubar suco nos pés! Deve ser para a mamãe não falar mais "pé-chulé" e sim "pé-laranja", "pé-morango", "pé-pêssego"...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ísis e o Tempo


Filha, é sabido que as mães sempre se deparam com a triste realidade de que seus filhos crescem rápido demais. Nesse momento sempre pensamos em "nossa, como o tempo passa". Essa é uma frase muito comum, seguida também de "ainda ontem mal se sentava e agora já corre pela calçada!", ou algo do tipo. Sua mãe não é diferente. Eu percebo saltos no tempo quando olho para você.

Semana passada cheguei em casa do trabalho e você estava sentadinha numa banqueta, papel em branco sobre a mesa, giz de cera nos dedinhos gordinhos. Não fiz barulho quando entrei e fiquei te olhando. Você desenhava um pouquinho, levantava os olhos para a televisão, que estava ligada no Discovery Kids, baixava a cabeça e desenhava mais um pouquinho. E não sei por quê essa cena me emocionou. Eu percebi um salto no tempo e foi como se eu te olhasse bem bebezica no meu colo, recém saída do meu ventre e num piscar de olhos você já estivesse ali, sentadinha na banqueta que o papai te deu. Giz de cera em punho. Olhos atentos ao que passava na televisão.

E então, eu comecei a pensar no passar do tempo desde que você nasceu e percebi como realmente o genioso Einstein tinha razão: o Tempo é relativo.

Em muitos momentos eu pensei que ele não passaria nunca, como quando eu vomitava horrores nos primeiros meses da gravidez. E de repente: puf! Passou! Mais um salto! E depois, nas últimas semanas antes de você nascer eu pensei que o calendário tinha esquecido de passar as páginas, os dias não andavam até a data provável para o parto...queria te ver logo! Relógio parado. Ao mesmo tempo, quando me deitava no sofá para ver um filme e me dava conta de que logo, logo você chegaria, eu me assustava, sentia um frio na barriga e pensava que eu gostaria de mais alguns dias, meses, anos para me preparar para ser mãe. Dualidades da vida, filha.

Enquanto você desenhava, por uma fração de segundos, meu olhar cruzou com o do seu pai e nós rimos, um sorriso mudo, para que você não se distraísse. Queríamos contemplar por mais um tempinho a parada do relógio naquele momento mágico, o momento antes do salto que você já havia dado em direção ao futuro. 
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