Final de semana, festinha de aniversário de 1 aninho do filhote de uma amiga. Encontros, reencontros, a famosa roda dos papais falando sobre futebol, política, economia, mulher alheia, cerveja, pelada (futebolística ou não) e a famosa roda das mamães com os filhotes sob as asas falando de suas peripécias, coco, xixi, melecas e...escolinha.
No aniversário havia muitas crianças na faixa etária da Ísis e apenas eu e outra mãe que optamos por não colocar nossos respectivos rebentos numa escolinha/creche/berçário. Todas as 485965234 crianças entre 1,5 e 3 anos estavam na escolinha.
Eu gosto muito desses encontros, sério mesmo. Não perco uma oportunidade de observar e comparar (ainda que mentalmente) a genialidade da minha filha (cof, cof) com a genialidade alheia. E posso dizer? Morro de orgulho, há!
Daí que lá pelas tantas, todas as outras mães observando aquele serzinho acima da média (cof, cof) me largam a pergunta: "ela está em qual escolinha?"
Não, minhas caras, ela não está em escolinha nenhuma há exatamente 1 ano e 1 mês.
"Nãããooo? Ah, mas por quê? Ano que vem você vai matricular, né?"
NÃO.
"Mas escolinha é tão bom, as crianças aprendem a socializar (aham, tá bom que fedelhos dessa idade aprendem a socializar, me engana que eu gosto, eu penso, mas não digo), elas são estimuladas na sua psicomotricidade (você sabe o que é isso?), elas aprendem a dividir..."
Daí nessa frase do "elas aprendem a dividir" eu, que não sou santa, nem elevada moral e espiritualmente não me aguento e largo um "Fala sério, né? É só olhar essa rodinha de bebês e pequenos infantes que dá para notar que a escolinha não ensina ninguém a dividir." Olhares me fuzilando, saio estratégicamente pela esquerda arrastando meu barrigão...bexiga de grávida, sabe comé?
Eu passei praticamente toda a festinha justificando o por quê de não colocar a Ísis numa escolinha, fazendo-me de surda (não com muito sucesso) para frases dos tipos acima.
Já escrevi dois textos sobre o assunto: aqui e aqui. Eu não fico reprovando mães que colocam os filhos desde cedo nas creches, cada família tem uma dinâmica, uma necessidade e suas crenças. Se você acredita que seu filhote vai estar melhor numa escolinha, que assim seja! Ou se você não tem outra opção viável, que assim seja também. Ninguém é melhor ou pior por estar ou não numa escolinha. A Ísis esteve numa dessas por 9 terríveis meses em turno integral...
Mas nós (eu e marido) não acreditamos nisso e não tem discurso sobre psicomotricidade, pedagogia Waldorf/Montessori que me faça mudar de idéia. Até porque eu vejo a desenvoltura da Ísis e vejo a das outras crianças que vão para a escolinha e ela não está "atrasada" em relação à ninguém. Ela fala com desenvoltura própria para a idade, se locomove bem, pula, corre, sobe sobre móveis, salta obstáculos, canta musiquinhas com coreografias, pinta, recorta, molda, encaixa, desencaixa, "lê" livrinhos, etc...etc... e convive com outras crianças também , afinal ela não vive trancada dentro de casa: vai ao parquinho, à praça, brinca com os filhos dos vizinhos, dos colegas de trabalho...sociabilidade e psicomotricidade garantidas! Ainda que sem um projeto pedagógico!
Agora aprender a dividir na escolinha...ah, isso não! É da idade não querer dividir nada nessa fase, teoria comprovada neste aniversário onde crianças de 0 a 5 anos brincavam e disputavam brinquedos alucinadamente num festival de não, é minha; não, é meu, enquanto mães apaziguadoras, estivessem seus filhos na escolinha ou não, repetiam "tem que dividir com o amiguinho, agora é a vez dele, depois você brinca."
Minha idéia é: crianças pequenas ficam em casa, na segurança do seu lar, no conforto de suas caminhas, com suas comidinhas de casa, seus passeios ao sol, seus colos exclusivos (ao menos até nascer o segundo), suas estimulações naturais, seu convívio periódico com outras crianças.
Já tive a experiência da escolinha, não é para mim, não adianta tentarem me convencer do contrário, pois não há teoria da psicomotricidade e sociabilidade que resista a uma rodinha de bebês/crianças fazendo exatamente as mesmas coisas.




