As vezes eu fico pensando e me perguntando que tipo de mãe eu seria se não tivesse o blog.
Criado no início apenas para registrar pequenos momentos, pensamentos meus, palavras minhas para a Ísis. Depois virou meio de informação sobre tantos assuntos sobre os quais nunca tinha ouvido falar. Mais recentemente como meio de troca dessas mesmas informações e experiências sobre a maternidade e toda a complexa simplicidade que a envolve.
Através de outras mães eu descobri e me identifiquei com tantas formas de pensar. Discordei de muitas, como ainda faço até hoje, mas sem embates, sempre com o pensamento de que na verdade cada família é uma família e por melhor que eu considere a maneira que eu escolhi para maternar, não posso impor esta mesma maneira a outras pessoas, pois a minha maneira não é a melhor para elas. Também eu não sou influenciada a agir diferentemente do que acredito e posso em cada momento.
De tudo, o que mais me motiva é a sensação de pertencer. Na vida real não posso falar e ouvir sobre esses assuntos com as pessoas reais com as quais eu convivo. Apesar de conversar sobre maternidade com amigos e familiares, o mundo real é tão, mas tão diferente do virtual, que por vezes cansa. Aqui aprofundamos conhecimento, debatemos teorias, as colocamos em prática, informamos nossos resultados, rejeitamos o lugar comum sem causas reais.
Eu lembro de mim quando a Ísis nasceu. Eu nunca me senti tão só na vida. Eu não conseguia explicar a ninguém o que eu estava sentindo. Eu não era mais a mesma de sempre e ao mesmo tempo eu não conseguia me espelhar nas pessoas próximas a mim. Eu me senti só numa ilha, com um bebê recém nascido nos braços e um turbilhão de sentimentos desconhecidos.
Eu me lembro que cheguei a pensar que estava em depressão. Mas recusei a idéia. Eu não me sentia deprimida, eu apenas não conseguia me encontrar mais. Eu estava pendurada num precipício, cansada, e não tinha ninguém para me dar a mão e me ajudar a subir.
No mundo dos blogs eu encontrei essas mãos. A cada texto lido eu passei a me sentir parte de um grupo e com este grupo de pessoas que eu nunca vi pessoalmente, com muitas inclusive nem troco idéias, eu me senti pertencendo novamente.
Eu não estou mais cansada, pendurada, prestes a desabar. Agora eu piso terra firme, eu ando vigorosamente pela estrada.
A todas essas famílias que se expõem na internet e que expõem nos blogs suas experiência reais, seus anseios, suas dúvidas, suas soluções, o meu agradecimento sincero.


