Faz algum tempo que eu venho analisando o comportamento da minha mais velha e me identificando - muito! - com sua maneira de falar, de andar, de se comportar, de desafiar, de reagir. E isso tem sido um exercício de auto conhecimento sem precedentes.
Quando eu era pequena, criança ainda, lembro de ouvir muito que eu era teimosa feito uma mula. Empacada. Também lembro de me dizerem que meu humor mudava muito rápido, estava feliz agora, triste 2 segundos depois, brava 3 segundos depois, feliz novamente. Era verdade, era assim mesmo. Também me lembro de ser tachada de pessoa não muito polida na hora de falar. Recebi muitas críticas na infância, na adolescência e na vida adulta. Isso também é bem verdadeiro. Só o tempo trouxe um pouco de polidez a minha maneira de me comunicar. Mas pouca, bem pouca.
E hoje eu revisito todas essas características na minha mais velha. E luto diariamente para ajudá-la na polidez sem violentá-la. Sem ofensas. É difícil. Na teimosia, confesso que quando tentei de tudo e nada a demove de algo inapropriado para o momento, eu uso de minha autoridade maternal, ao que ela sai brava e bicuda e resmungando. Aos 4 anos de idade. Fico pensando quando tiver 15...
A mudança de humor e a necessidade de mostrar quem é que manda na própria vida são características latentes. Minha e dela. E ao mesmo tempo em que acho um barato uma pessoinha se achar auto suficiente aos 4 anos, como eu mesma me achava desde sempre, a convivência com alguém assim é bem cansativa. E é mais cansativa quando se está cansada.
Certa vez a Ana Thomaz disse que a gente cresce no antagonismo. E é verdade. Eu cresço muito enquanto pessoa lidando no dia a dia com a minha filha. Ela me desafia. Literalmente. É como se estivesse o tempo todo tentando provar a mim e ao mundo que ela pode, ela faz, ela sabe. E eu compreendo, porque também fui e sou assim.
Pensando nisso tudo e lendo mais um bocado eu cheguei à conclusão de que esses comportamentos mais difíceis hoje serão características importantes da personalidade dela na vida adulta. Cabe a mim e ao pai não podá-la para que se adeque ao socialmente aceito, mas sim orientá-la nos desvios e exageros típicos da idade.
O bom de tudo é que, com os outros, ela aplica (quase) tudo que aprende em casa. É lindo vê-la se relacionando e saber que ela realmente repete comportamentos, frases, orientações. Por vezes cheguei a reclamar com o marido do tanto que ela nos exigia em casa, e com outras pessoas ela fazia e falava tudo "certinho". Por quê?
O tempo só me permite concluir que em casa é onde ela se sente segura para arriscar, para testar e para ser livre. Entendi ainda mais o meu papel de mãe e a importância da orientação sem violência. Um dia ela crescerá e se hoje sua teimosia me cansa, amanhã morrerei de orgulho da filha que toma decisões e segue em frente em busca do que quer. Hoje teimosia, amanhã persistência.