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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Educação Proibida 1

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 Eu sou filha de pedagoga, sou neta, sobrinha e prima de professoras e pedagogas. Falar sobre educação, de educação, pensar educação deveria ser algo a que eu estivesse acostumada. Só que não.

Minha mãe tem livros de Piaget, Vigotsky, Paulo Freire. Um dia desses eu perguntei a ela sobre um pedagogo chamado Célestin Freinert e ela me respondeu que não estudavam esse cara aqui no sul. Minha mãe  é servidora pública. Deu aulas para crianças em fase de alfabetização durante muitos e muitos anos. Foi minha querida professora da primeira série, aquela que me ensinou o beabá. Como mãe ela deixou seu legado me incentivando à leitura desde cedo e a me mandando sair da frente da televisão mais do que gostaria de ouvir. E criticando duramente qualquer programa assistido por mim, o que incluía telenovelas e filmes. Enfim, resumindo, não me culpem. Se hoje eu sou cri cri, a culpa vocês já sabem de quem é, né? :)

O resultado é que eu sou uma eterna questionadora, para mim não existem verdades absolutas para a grande maioria das coisas, salvo se essas verdades são leis da natureza. E mesmo assim só até que me provem o contrário.

Mais recentemente, depois que duas crianças passaram a fazer parte da minha vida, eu comecei a pensar educação, só que eu não sabia que estava pensando educação, entendem? Eu achava, na minha inocência e ignorância, que estava pensando maternidade. Claro que estava também, mas vamos dizer que maternidade é o conjunto e educação é um subconjunto (ou seria o contrário?). Lembram das aulinhas de matemática? :) E claro que esse conjunto e subconjunto fazem parte de uma colmeia de conjuntos e seus subconjuntos em que minha vida está compartimentada.

Já escrevi algumas vezes sobre escolinha e como fiquei desencantada com esse tipo de cuidado para um bebê. Já dei algumas razões e provavelmente não tornei públicas algumas outras. Há muitos brios, há muitos ofendidos, há muitos pensando que ao expor uma opinião queremos ditar regras de vivência.

Engraçado é que certos assuntos geram essa comoção, esse estranhamento, esse sentir-me menos, sentir-se ofendido. Todos buscamos aceitação. E eu achei que esse era um privilégio dos blogs sobre maternidade, até que me deparei com discussões mil em blogs de decoração. Uma moça resolveu dizer que casas com porcelanato pareciam, para ela, banheiros - e eu concordo - ou hall de entrada de edifício - concordo também. Todos que haviam colocado porcelanatos em suas casas se sentiram ofendidos. Alguns que não haviam colocado porcelanato se solidarizaram, sabe a turma do deixa disso? Então... Tudo a mesma coisa.

Sabendo dessa sensibilidade - e alguns assuntos são extremamente sensíveis, até o porcelanato é! - e eu sendo filha, neta, sobrinha, prima de professoras e pedagogas, nunca me atrevi a aprofundar a discussão sobre educação por aqui. Só que eu preciso de outros ouvidos (olhos) para ouvir (ler) o que eu tenho a dizer (escrever), que não apenas os do marido.

Ao lerem os textos, se quiserem, tragam mais informação, tragam suas vivências, seus desejos, frustrações, vontades. Não quero com meus estudos e opiniões ofender ninguém, não é uma crítica aos professores, mas sim ao sistema de ensino onde (quase) todos estamos inseridos.

E claro, como escrevi acima, é uma questão particular também. Passado o periodo do berçário, ano passado minha primogênita frequentou a escola por quatro meses. Bem, na verdade três, considerando que um mês ela ficou em casa porque ficou muito doente. E em três meses, sinto dizer, eu e o pai só constatamos regressões de comportamento, juizos de valor totalmente equivocados e nada condizentes com a teoria. Aliás, vi muita propaganda, muito marketing, mas pouca prática, pouca coerência entre o discurso e a atividade. Vi poucas chances de minha filha aprender a ser uma cidadã responsável, ética, que respeitará as diferenças e que não propagará preconceitos mil e ideias machistas e misóginas na vida adulta. Fiquei pasma!

Peço licença aos que vão dizer que essa é uma tarefa dos pais. Certo. Concordo. Mas é também uma tarefa da escola, ainda mais quando esta escola está acolhendo crianças cada vez mais novas e passando com elas cada vez mais horas do dia. Ainda mais quando as escolas usam em benefício próprio a ideia da socialização infantil. Só que não.

Nesses três meses eu li algumas coisas e entrei em contato com um assunto com o qual eu já flertava a muito sem saber: a desescolarização. Não a desescolarização ligada apenas aos não-escolarizados (unschooling), mas à desescolarização dos processos de vida, de vivência. Isso vem muito de encontro ao mundo que eu passei a enxergar após o nascimento de meus dois filhos. E com certeza veio para ficar e para estar comigo durante essa fase da minha vida que eu considero de mudança.

Quase tudo o que li sobre desescolarizar vem de encontro as ideias e ideais que trago e tento colocar em prática todos os dias.

Mesmo vindo de família ligada à educação eu nunca me interessei pelo assunto, porque escola foi sempre um lugar onde eu deveria estar, deveria decorar, tirar acima de sete nas provas, passar "direto" para ter férias maiores e com o valioso diploma na mão dar o passo seguinte - ir para a universidade, decorar mais um tanto de coisas, tirar acima de seis nas provas, passar "direto" para ter férias maiores e conseguir o tão esperado diploma para dar o passo seguinte - conseguir um emprego, com ele ter um salário que seja suficiente para a subsistência e o conforto. Ponto?


(*)

Eu sempre tive fama de boa aluna, e era mesmo. Para os padrões escolares atuais e da época eu era um gênio! Mal prestava atenção nas aulas, estava sempre viajando - como costumavam dizer meus professores a minha mãe - lia a matéria no dia anterior e tirava notas muito boas. Mas a verdade é que eu queria estar sempre fazendo outra coisa. Como meu corpo não podia sair da sala de aula, minha mente fazia isso por mim.


(*)

Fiquei em recuperação apenas duas vezes. A primeira por não conseguir entender patavina do que tentaram me explicar os 4 ou 5 professores substitutos que tive no primeiro ano do ensino médio nas matérias de química, física e matemática. Eu realmente não conseguia entender como ou por quê, mas durante dias meu mantra era 1s2, 2s2, 3p6... Ou então: E=mc2. E claro, Teorema de Aristóteles (nem lembro mais como era)! Alguém? Na segunda vez o professor perdeu meu trabalho de filosofia, não admitiu e preferiu dizer que eu não havia entregado. O que fazer? Recuperação.

Então hoje eu estou deixando o link de um documentário que fala sobre tudo o que eu escrevi aqui -  e muito mais. Chama-se Educação Proibida. Deixem as atualizações dos amigos no facebook de lado e por 2 horas assistam a esse documentário. Depois, se quiserem, venham aqui conversar comigo!

(*) Todas as imagens são do documentário Educação Proibida.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Fora da escolarização há salvação!


Muitos estudantes percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os escolariza para confundir processo com substância. Alcançando isto, uma nova lógica entra em jogo: quanto mais longa a escolaridade, melhores os resultados; ou, então, a graduação leva ao sucesso. O aluno é desse modo, “escolarizado” a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é “escolarizada” a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar de saúde com tratamento médico, melhoria da vida comunitária com assistência social, segurança com proteção policial, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. (Ivan Illich)

E eu arrisco parafrasear Ivan Illich:

O aluno também é escolarizado a confundir:

- violência obstétrica com medicina de ponta;
- cirurgia cesariana com parto;
- parto normal/vaginal/natural/fisiológico com evento raro/anormal/de risco absoluto;
- amamentação de recém nascido com tortura;
- amamentação após um ao de vida com exibicionismo;
- amamentação após dois anos de vida com pouca vergonha;
- amamentação após três anos de vida com tara sexual;
- sexualidade com sexualismo;
- paleta de cores com gênero sexual;
- ancas curvas, peitos flácidos e ventre produtivo com relaxo pessoal;
- alimentação saudável com produtos industrializados;
- brincar com brinquedos;
- desenvolvimento psico motor com fisher price;
- socialização com berçário/creche/escolinha;
- educação com cantinho da disciplina;
- limite com agressões verbais/físicas;
- escola com empresa;
- orgânico, natural e sem agrotóxicos com comida de gente doida;
- açúcar com veneno;
- carboidrato com vilão;
- gordura saturada com filhote de cruz credo;
- proteína com boa forma;
- vitaminas e minerais com centrum;
- envelhecer com decadência;
- amadurecer com pagar a língua;
- rugas com bicho geográfico;
- conhecimento com nota dez em prova de múltipla escolha;
- beleza com manicure/pedicure/tintura/hidratação/dieta da Ivete Sangalo/musculação;
- caráter com chatice;
- paternidade com comida na mesa;
- maternidade com vida vazia;
- filhos com animais de estimação;
- animais de estimação com filhos;
- facebook com vida real.

E eu poderia seguir escrevendo, mas vou deixar essa para vocês. O que mais está escolarizado em nossas vidas?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fim do Minha Pequena Ísis!

Imagem: arquivo pessoal

Hoje é um dia de despedidas.
O blog como eu iniciei há três anos atrás já não refletia mais o momento que estou atravessando hoje.
A minha Ísis, antes tão pequena, minha pequena, não é mais o meu bebê. As divagações deste blog já não tinham mais a ver diretamente (só com) ela. 
Por outro lado não gostaria de fechar este canal. Tentei incursionar pelo facebook nestes dias, mas cedo percebi que aquele ali não é meu ambiente. A conta recém aberta será cancelada.
Todos os registros permanecerão. Eu não mudarei minha forma de escrever, mas sinto que agora o blog tem mais a ver com as minhas divagações atuais.
E como gosto de dizer, este blog se transformou numa grande sessão de terapia para mim, de maternoterapia, na verdade, pois quase tudo foi impulsionado pelo nascimento de minha primogênita.
A vida segue, a gente se encontra logo ali no próximo post!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um passeio pela desescolarização

Faz tempinho que flerto com isso...desescolarizar...inundei os ouvidos do marido com essa ladainha por dias, depois acalmei, e agora estou de volta com isso martelando em minha cabeça. Nas minhas andanças por aí, conheci a Ana Thomaz numa entrevista ao Mauricio Curi, disponível na internet. Apaixonei, sabem? Sempre precisamos de musas inspiradoras...


Faz algum tempo que passei a acompanhar o trabalho da Ana Thomaz. Já assisti alguns videos seus. Estou longe de entender tudo que ela diz, mas ela me inspira, principalmente quando fala em desescolarização para a vida e educação para a potência. Com uma filha de 3 anos no auge de suas catarses emocionais eu me vi perdida, sem saber como lidar com aquilo...castigar? brigar? dar lição de moral? nada parece fazer bem a nós, mas sempre faz mais mal a mim pq não vejo eficiência nessas atitudes. Entender o ser humano e o desenvolvimento de potencialidades desde o nascimento tem me ajudado neste momento com minha mais velha, e com certeza ajudará com meu mais novo e nas minhas relações com os demais. Entender que meus filhos não estão ali para meu deleite ou para comprovar teorias minhas, que são seres únicos com todas suas potencialidades e dificuldades e aprender a receber com amor suas dificuldades e a orientar com respeito suas potencialidades é um objetivo meu. E pq? Porque desde que me tornei mãe acredito profundamente na minha responsabilidade diante da construção de um mundo melhor e acredito que a convivência diária com as crianças é oportunidade única para me levar ao meu próprio autoconhecimento e meu melhoramento enquanto ser humano. Espero que gostem da leitura!


...


a maior dificuldade de não ter os filhos na escola é não ter a quem culpar!
porque filhos que não frequentam escola também fazem coisas terríveis.
aprendem musicas e danças de gosto discutível.
deixam escapar palavras de baixo calão.
pegam piolho.
se rebelam!
onde aprendem tudo isso? e o pior é não ter uma escola para jogar a culpa.
crianças que vivem sem escola não estão isoladas do mundo, captam tudo no ar, estão ligadissimas.
assim são as crianças!
porem mais importante do que "o que aprendem", é como lidar com a criança e suas aventuras.
criança precisa de acolhimento, de amor incondicional, de respeito, mesmo quando elas apresentam atitudes difíceis de serem aceitas.
a moda passa, e logo a criança deixa de lado a musiquinha irritante ou a dancinha provocadora, mas o que fica é o acolhimento, a certeza de que o amor e a confiança nela não se abala por conta de suas experimentações.
não se ama uma criança pelo seu comportamento, ou por suas habilidades.
ama-se uma criança por sua existência.
pela confiança que se tem em sua existência.
e para confiar em uma criança, é necessário confiar em si mesmo.
confiar na própria existência.
não por seus sucessos ou reconhecimentos ou capacidade de ganhar dinheiro...
mas por sua existência.
amor incondicional.
não se espera um comportamento impecável das crianças que não frequentam a escola.
espera-se um mergulho dos pais em sua capacidade de confiar na vida, de confiar em si mesmo e sem duvida, confiar na criança.
assim da para viver sem uma escola para culpar!

Texto de Ana Thomaz, daqui.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Valparaíso - fui, não vi e me perdi!


Demorei, né? Desculpas mil! Mas a inspiração aqui voou para algum lugar em Santa Catarina, onde minha vida vai dar novo rumo logo, logo!

Para recomeçar a escrita vou falar hoje de nossa NÃO visita a Valparaíso!

Eu estava tão ansiosa com nossa ida para o litoral do Chile! Sabe aquela coisa? Colocar os pés no oceano pacífico! Queria muito! Não sei o que eu pensei que sentiria, mas me imaginar naquele ponto extremo ocidental do continente e sentir as águas que banham outro oceano, ai, gente, besteira, eu sei, mas queria muito!

Sobre Valparaíso peguei muitas diquinhas aqui e ali. Fiquei apaixonada por muitas fotos na internet. Peguei recomendação de restaurante de comida italiana, agendei visita na casa do Neruda, La Sebastiana. Queria ver artesanato e as construções que deram a esse local o título de Patrimônio da Unesco. Só que...

Só que não deu! Vários foram os motivos:

1 - Alugamos um carro, tínhamos GPS, mas nosso GPS não reconhecia nenhuma rua dos Cerros de Valparaíso, logo, não conseguíamos nos localizar naqueles morros. 

2 - O trânsito estava meio caótico, não sei se era a chuva ou se é sempre assim, mas não conseguíamos nos localizar, não encontramos o restaurante e nem a casa do Neruda.

3 - Você leu chuva ali no item 2. Choveu. D-E-M-A-I-S! Devia ser proibido chover nas suas férias! Você deveria andar com um clima portátil sobre você: dias de sol no meu climateitor, por favor!

4 - Nos enroscamos naqueles cerros. A vista era linda e a beleza aumentava exponencialmente com o nosso medo. Tipo: morro no Rio de Janeiro. Nunca fui, mas me senti assim. O medo foi tanto que não tiramos nenhuma foto. Estávamos perdidos, tentávamos descer, mas as ruas são confusas. Marido decidiu seguir um táxi, sem saber que ele estava indo para a penitenciária local. Momento férias frustradas total!

5 - E teve briga no carro: PQP, que lugarzinho você escolheu para a gente visitar, em? Detalhe: decidimos a visita juntos, mas no calor do momento, já sabem, né? A culpa é da mãe..da mãe dos filhos dele, há!

6 - Muita fome, muita chuva, muito estresse. Paramos o carro defronte a uma plaquinha que dizia "Tsunami, rota de evacuação". Tive que rir. Conversamos e decidimos que tchau, Valparaíso! Vamos para Viña del Mar!

E foi isso! Prometo que volto até sexta para falar do pouco que vimos em Viña. A chuva deu uma trégua, a Ísis teve uma experiência inédita e um caso de amor. E eu? Será que consegui sentir as águas do oceano pacífico?

Aguardem cenas...
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